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Plantas utilizadas em Humaitá viram estudos para tratamento da leishmaniose

Plantas utilizadas em Humaitá viram estudos para tratamento da leishmaniose
Geovanni

O calazar é a segunda doença parasitária que mais mata no mundo – apenas a malária é mais mortal.

Uma pesquisa desenvolvida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), está analisando as espécies botânicas amazônicas mais utilizadas pela população como fármacos naturais no tratamento da leishmaniose, doença causada por protozoários do gênero Leishmania e de outras doenças tropicais.

O estudo, coordenado pela doutora em Biotecnologia, pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Janaína Paolucci, já identificou as plantas medicinais regionais utilizadas no tratamento de leishmaniose cutânea e listou 138 espécies de plantas cultivadas nas residências e 84 espécies de plantas comercializadas com fins medicinais no município de Humaitá (distante 591 quilômetros de Manaus).

De acordo com a pesquisadora, entre as espécies selecionadas que irão para estudo in vitro estão: sangue de dragão (Cróton lechleri), mulateiro (Calycophyllum spruceanum), envira-dura (Ephedranthus amazonicus) e Confrei (Symphytum officinale L.). “As espécies são usadas no tratamento de várias doenças pela comunidade de Humaitá e possuem atividades descritas na literatura como cicatrizante, antitumoral, anti-inflamatória, antibacteriana, antimicrobiana, antifúngica, emoliente e anestésica”, disse a pesquisadora.

Paolucci contou que a segunda etapa está em andamento com preparação dos extratos vegetais das espécies selecionadas. Após isso, será feita a identificação das substâncias ativas e análises cromatográficas e espectrométricas dos extratos mais promissores com atividade leishmanicida in vitro, a fim de identificar as substâncias ativas, puras ou em misturas.

Conforme a doutora, o estudo contribuirá para o resgate e valorização do conhecimento popular, pois além de compreender a classificação e a significação das plantas utilizadas para fins medicinais pela população de Humaitá, possibilita também a perspectiva de manejos adequados com vistas a proporcionar a conservação das espécies.

“A avaliação da atividade leishmanicida das espécies encontradas na flora sul Amazônica brasileira contribui com subsídios científicos para a formulação de um fitoterápico ou fármaco, potencialmente eficaz, no combate à leishmaniose”, disse Paolucci.

O estudo é desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), da Fapeam, que apoia financeiramente atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do  Amazonas. “O apoio da Fapeam possibilita o desenvolvimento da pesquisa e a formação de recursos humanos”, disse a pesquisadora.

*Jornal de Humaitá – Com informações da assessoria.

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