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Estudo mostra que transmissão da doença de Chagas na Amazônia é diferente de outras regiões do país

Estudo mostra que transmissão da doença de Chagas na Amazônia é diferente de outras regiões do país

Foto: ÉRICO XAVIER/FAPEAM

Foto: ÉRICO XAVIER/FAPEAM

Além da transmissão pela picada do barbeiro, a doença de Chagas também pode ser transmitida por via oral na Amazônia, segundo o estudo desenvolvido pela acadêmica de medicina Thayana Braga e o médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Jorge Augusto de Oliveira Guerra. O projeto de pesquisa conta com apoio do Governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Conforme o médico infectologista, a pesquisa já tem 4 anos e vem sendo realizada neste período por bolsistas do Programa de Iniciação Científica (Paic), além de ter contribuído para melhor caracterização da doença de Chagas no Amazonas, visto que a região amazônica apresenta características epidemiológicas diferentes das de outras regiões do Brasil.

“O mecanismo de ocorrência e contato do vetor da doença com o paciente é diferente. A doença de Chagas ocorre, historicamente, da seguinte forma: o barbeiro fica domiciliado dentro de casa e sai para picar o ser humano. Aqui na Amazônia não acontece dessa forma. Os barbeiros são silvestres e mantêm o ciclo de transmissão na natureza. O homem uma vez entrando em contato com esses vetores pode ser picado e desenvolver a doença, mas o que predomina em termos numéricos são casos da doença associados à transmissão oral pois embora a transmissão vetorial seja mais frequente, surtos associados a transmissão oral geram um maior número de casos porque contaminam diversas pessoas ao mesmo tempo”, disse o infectologista.

Segundo o doutor Jorge Guerra, entre os anos de 2004 e 2015, o Amazonas teve cinco surtos da doença de Chagas, todos associados à transmissão oral pelo consumo de açaí, sendo que os dois últimos surtos ocorreram no município de Carauari (a 789 quilômetros de Manaus, em linha reta), entre nos anos de 2011 e 2015, onde 32 casos registrados foram transmitidos via oral. “O mecanismo clássico da doença também acontece aqui, ou seja, pela picada e posterior contaminação pelas fezes dos barbeiros, mas o que predomina, em número de casos são os surtos associados à transmissão oral, é isso que têm chamado mais atenção na Amazônia, sobretudo no Estado do Pará, onde a grande maioria tem sido associada ao açaí”, disse o médico.

Sintomas também são diferentes

A bolsista Thayana Braga contou que os estudos já sugeriram que a forma que a doença se manifesta nos doentes da região amazônica também é diferente dos pacientes de outras regiões. De acordo com a estudante, aproximadamente 188 casos da doença, das fases aguda e crônica, foram investigados pelo grupo de pesquisa.

O infectologista explicou que o mal de chagas tem duas fases: aguda e crônica. A aguda ocorre depois de o paciente ser picado e, em seguida ocorre o período de incubação, que dura cerca dez dias. Só depois desse período, a pessoa pode desencadear a doença. A fase aguda é considerada grave e pode matar. Já os casos crônicos da doença de Chagas geralmente são diagnosticados por meio de serviços de cardiologia, banco de sangue, ou inquéritos sorológicos.

“No momento em que tem febre, o paciente vai procurar o serviço de malária, por ele estar na Amazônia. Após realização de exames onde não se encontra o transmissor da malária e, sim, o da doença de Chagas. É nesse momento que fazemos o diagnóstico. Essa é a principal estratégia de controle da doença de Chagas na Amazônia. Temos conseguindo, em parceira com a FVS-AM, controlar surtos da doença”, destacou o doutor Jorge.

Longo prazo

Conforme o pesquisador, se o paciente não desenvolve a forma aguda, anos depois ele pode desenvolver doenças cardíacas ou digestivas.

“No Amazonas são mais frequentes casos de doenças cardíacas relacionadas à doença de Chagas. O acompanhamento dessas doenças nos pacientes tem que ser longitudinal, de muito tempo, para saber o que acontece com os doentes daqui. Esse acompanhamento deve ocorrer por 20 ou 30 anos”, conta o pesquisador.

Por: ÉRICO XAVIER/FAPEAM

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