Cultura

“Peteleco”, o boneco ventríloquo do Amazonas, faz apresentações no Gebes Medeiros

“Peteleco”, o boneco ventríloquo do Amazonas, faz apresentações no Gebes Medeiros
Geovanni

Oscarino e Peteleco 2Passando de geração a geração, o único boneco negro do Brasil, o “Peteleco”, que encanta de crianças a adultos, completou 59 anos de idade e será apresentado pelo seu criador, o ventríloquo Oscarino Farias Varjão em um show nos dias 22 e 29 de julho (sextas-feiras), às 18h30, no Teatro Gebes Medeiros, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro, nº 937 – Centro.

A apresentação tem entrada gratuita e vai mostrar aos fãs de Peteleco e às novas gerações, o talento, a graça, a inteligência e o carisma das histórias contadas por ele, com muita interação com o público.

Para o secretário de Estado de Cultura, é uma grande alegria poder receber Oscarino com o seu Peteleco, um legado da cultura regional. “Ao longo dos anos, o boneco Peteleco vem fazendo parte do imaginário do amazonense, contando histórias e divertindo tanto adultos como crianças. Seu papel é grandioso para a história da nossa arte, por abordar assuntos atuais e educativos”, ressaltou.

Neste mês, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas irá conceder a Oscarino Varjão o título de Patrimônio Cultural e Imaterial do Amazonas, por sua história de amor e dedicação à cultura do Amazonas.

Oscarino e seu filho, Peteleco
O amazonense de Paraná do Xiborena (Rio Solimões), Oscarino Varjão, pai de Peteleco, começou na arte da ventriloquia (Ventríloquo vem do latim venter loqqui – barriga falante), pela qual projeta a voz, sem ter que abrir a boca ou mover os lábios, de maneira que o som pareça vir de outra fonte diferente da dele, aos 15 anos de idade.

De origem muito humilde, foi engraxate na rua Marquês de Santa Cruz e ajudava a mãe, dona Iracema, na venda de tapiocas no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, na rua dos Barés, no Centro, quando confeccionou um boneco, o qual batizou de “Chiquinho”, em 1953, seu primeiro personagem.

Oscarino teve seu talento reconhecido por Américo Alvarez, artista amazonense conhecido como “Vovô Branco”, que pediu ao pintor Branco e Silva que lhe desse um boneco chamado “Marinheiro”, seu segundo personagem. Depois, ele recebeu de um pernambucano um boneco chamado “Charles” e, por fim, confeccionou o seu maior sucesso: o boneco Peteleco, que foi criado para dar conselhos.
Batizado pelo seu pai, Oscar Lopes Varjão, o Peteleco recebeu a cor negra em homenagem a ele, que era um homem negro e que sofria racismo. Dessa forma, o boneco também tornou-se um veículo de conscientização das pessoas, contra o racismo, a partir de histórias que ele viu o pai vivenciar.

Com uma personalidade irreverente e olhar atento a tudo, Peteleco sempre responde rápido às perguntas e às vezes é malcriado, se alguém pega no seu pé. Seu talento é conhecido em todo o País, principalmente na região Norte, onde é adorado pelas crianças por seu carisma, contando histórias, cantigas educativas e muitas paródias divertidas, deixando sempre para as crianças a mensagem de que estudar é importante, assim como o respeito aos pais e aos mais velhos.

Hoje, aos 79 anos, Oscarino declara-se feliz e realizado pela parceria de sucesso entre ele e seu filho, Peteleco. “A pessoa precisa ser excêntrica, rápida, para que os adultos se divirtam e as crianças entendam a mensagem. Posso dizer que tudo o que aconteceu de bom na minha vida até hoje, eu devo ao Peteleco. E nesse quesito, os ventríloquos de todo o Brasil me conhecem e me respeitam por esse trabalho desenvolvido com qualidade há tantos anos”.

*Jornal de Humaitá – Com informações da assessoria.

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