Porto Velho-Manaus – construída na década de 70, parte do projeto do governo militar brasileiro de integrar a Amazônia, e abandonada na década seguinte – é uma síntese dos desafios fundamentais para a região: preservar e desenvolver.

Pode ser o nome, a extensão, a localização, sei lá. A rodovia Transamazônica sempre pareceu ter um ar meio mitológico.

Para começo de conversa, são quase 5 mil quilômetros de estrada, cortando a Amazônia de leste a oeste. O tipo de obra faraônica difícil não se deixar impressionar.

Nesta terça-feira, a expedição da BBC Brasil passou por 35 quilômetros dela. É inevitável quando se passa por Humaitá pela BR-319 rumo a Manaus.

Inevitável também foi perceber que a lendária Transamazônica é, em alguns trechos, nada mais que uma estradinha de barro, dessas que se vê levando a sítios do interior.

A diferença é que vira e mexe aparecem enormes retro-escavadeiras e caminhões do Exército, que trabalham na duplicação e repavimentação das pistas.

Pouco depois de voltar à BR-319, uma placa quase apagada informa: Manaus a 640 quilômetros.

A entrada para a aldeia Tucumã, da etnia Apurinã, fica poucos quilômetros adiante.

E foi em frente a ela que nós nos encontramos com cerca de 20 indígenas.
O cacique da aldeia Tucumã, Luiz Apurinã, não parecia totalmente convencido sobre as vantagens da repaveamento da BR-319.

“Se vai ser positivo? Olha…”, vacilou o líder, enquanto a irmã atrás “soprava”: “vai ser muito positivo para nós.”

Ninguém parece estar muito certo das consequências que a obra pode ter sobre os Apurinã.

Pudera, segundo Luiz Apurinã, grileiros e criadores de gado já são uma ameaça presente na vida da aldeia Tucumã.

“Quanto mais a estrada melhora, mais chegam brancos, né?”, disse Martinho Apurinã, um dos moradores mais antigos da aldeia.

Para eles, o mais urgente é a demarcação das suas terras. Sem isso, eles temem perder espaço rapidamente com a reabertura da estrada

Moradores já reclamam até de madeireiros e extrativistas ilegais, que estariam comprometendo a subsistência da aldeia Tucumã.

O chefe-substituto da Funai em Humaitá, Raimundo Parintintin, disse que o problema deve ser solucionado em breve.

“Está sendo feito um levantamento detalhado sobre a situação nessas terras. Nós entendemos a situação deles e queremos demarcar as terras o mais rápido possível”, afirmou..

Enquanto esperam, os Apurinã da BR-319 tentam chegar a uma opinião sobre as vantagens da possível reabertura da estrada

Reportagem publicada pela TV BBC BRASIL e pelo site http://www.bbc.co.uk/

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