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Peru diz que pode resgatar brasileiros e recusa aeronaves

Peru diz que pode resgatar brasileiros e recusa aeronaves

27 de janeiro de 2010 • 16h26 • atualizado às 19h16

A região de Cuzco ficou alagada
Foto: AP

O Ministério das Relações Exteriores do Peru ainda não autorizou a entrada de quatro helicópteros e um avião disponibilizados pelo governo brasileiro para socorrer os turistas que estão isolados há três dias em Águas Calientes, a 20 km de Machu Picchu, devido ao deslizamentos de terra que bloquearam a ferrovia de acesso à região, no Peru. Segundo o chefe do departamento econômico da embaixada brasileira, Cláudio Bonamigo, o pedido foi feito na terça-feira, mas as autoridades peruanas preferem utilizar os próprios helicópteros.

O ministro do Comércio e Turismo, Martín Pérez, disse que que o governo consegue fazer a evacuação sozinho e ajudar as mais de 13 mil pessoas afetadas pelas inundações de rios da região. “Agradecemos a ajuda solidária proposta pela Colômbia, Chile e Brasil, mas não precisamos dela por enquanto, porque a área de Machu Picchu é muito estreita para que mais de quatro helicópteros a sobrevoem ao mesmo tempo”, afirmou.

O embaixador brasileiro Jorge Taunay, seguiu na tarde desta quarta-feira para Cuzco, onde vai acompanhar o socorro aos 215 brasileiros isolados em Águas Calientes. As aeronaves brasileiras, do Exército e da Aeronáutica, estão em Porto Velho (RO) e esperam autorização de voo a Cuzco.

Nesta tarde, os helicópteros peruanos voltaram a fazer o transporte de parte dos turistas de todo o mundo que estão ilhados em Machu Picchu. O objetivo das autoridades peruanas é retirar ainda hoje mais 800 turistas que estão isolados. A chuva, entretanto, dificulta o resgate.”Lamentamos o mau tempo que atrapalha o trabalho dos helicópteros; até agora evacuamos 600 turistas e 1500 ainda estão na região”, disse o primeiro-ministro peruano, Javier Velásquez.

Responsável por um grupo de brasileiros que viajou até o local, Glaucius Miguens, da agência de turismo Adventure Weekend de Brasília, disse que, apesar da tensão provocada pelas circunstâncias, o clima entre os turistas que estão isolados é de cooperação. Na terça-feira, quatro brasileiros foram retirados da região: três mulheres idosas e um menino de 10 anos. A prioridade é para crianças, idosos e doentes.

Reclamações
As autoridades peruanas responderam nesta quarta-feira às acusações de turistas que afirmaram haver discriminação contra os latinoamericanos para dar preferência aos europeus ou norte-americanos. Turistas chilenos ilhados disseram que algumas pessoas pagavam até US$ 500 para entrar nos helicópteros, e outros compravam atestados médicos falsos fingindo doenças para conseguirem embarcar.

Velásquez negou a acusação e afirmou que a prioridade de embarque foi dada aos maiores de 60 anos, crianças e pessoas doentes. O governo peruano se dispôs ainda a enviar comida para os 8 mil habitantes de Águas Calientes, já que a rota de acesso terrestre está bloqueada por deslizamentos e rios que transbordaram.

Recursos
O governo do Peru liberou, como medida de urgência, US$ 5,8 milhões para ajuda às vítimas e também para reconstrução de casas e apoio à agricultura. A situação considerada mais grave é na área de Cuzco, próxima ao sítio arqueológico de Machu Pichu um dos principais cartões postais do país. Segundo o governo peruano, 475 pessoas que estavam na região de Cuzco foram retirados do local. Os Estados Unidos enviaram helicópteros para ajudar nas buscas. A embaixada do Brasil em Lima, a capital peruana, montou um gabinete de gestão de crise para administrar o problema e enviou dois funcionários do Itamaraty para a região de Cuzco.

Com informações da agência AFP.

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