Manaus. Mais de 17,8 mil filhotes de Tartaruga da Amazônia, Tracajá, Iaçá e Irapuca ou Capirã foram soltos no Rio Uatumã, no município de São Sebastião do Uatumã, na 13ª Soltura de Quelônios, no sábado. A iniciativa faz parte das ações do Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos (Cppqa) da empresa Eletrobras Amazonas Energia, com apoio do Governo do Estado, por meio do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS).

Desde a desova até a soltura no rio, o trabalho com as espécies leva em média seis meses. Só no berçário artificial, os quelônios passam por uma adaptação de dois meses para que o casco do animal fique mais resistente ao ataque de predadores. O objetivo é preservar os quelônios com a colaboração da população, que envolve cerca de 300 moradores das comunidades próximas como Bela Vista, São Benedito, Maracarana, Manaaim, Abenezer, Nossa Senhora do Livramento e Jacaré-quara.

A soltura foi realizada na Reserva Maracaranã, com a participação dos moradores, especialmente das crianças que realizaram peças teatrais e concursos.

Leivindo Ferreira, 37, explicou que todo cuidado com os filhotes até que eles possam ser levados para o rio já faz parte do cotidiano da comunidade. “Nós tiramos os ovos da terra, colocamos na chocadeira, quando o filhote está saindo do ovo nós colocamos no berçário. Isso já faz parte do nosso dia a dia e eu me sinto privilegiado em ajudar a preservar”, disse.

Segundo o presidente do Ipaam, Antonio Stroski, a soltura dos quelônios naquela região já está consolidada devido ao grande empenho das comunidades que resolveram abraçar a causa. “A cada ano vai se consolidando mais por conta do envolvimento da comunidade, é ela que está nessa relação do dia a dia com o meio ambiente e os moradores estão vendo a importância de preservar porque estão percebendo que os recursos podem acabar”, disse.

A agricultora Maria Valdense, 60, ajuda no controle da desova dos quelônios. Ela contou que já visitou lugares como França e Suíça, onde moram os filhos, mas que prefere a natureza, a vida simples na comunidade e ter o contato com os bichos. “Lógico que aqui é mais bonito, lá é legal, mas não mais que na nossa reserva. Eu fui para outros lugares e não vi natureza, só vi prédios e asfalto, tem coisas bonitas, mas eu prefiro a minha reserva. Eu prefiro ficar aqui”, ressaltou.

Stroski explicou que, por meio do Ipaam, são realizadas as licenças ambientais para o desenvolvimento do programa. “Quando nós ouvimos o clamor da comunidade e as suas necessidades mais elementares como emprego e renda, nós construímos instrumentos legais de exploração, ouvimos as populações e nos colocamos à disposição”.

De acordo com Domingos Macedo, diretor do Centro Estadual de Unidade de Conservação (Ceuc), o projeto está colhendo os frutos de um grande trabalho que envolve a Amazonas Energia, Governo do Estado e ribeirinhos. “O Governo do Estado está aqui apoiando com estímulos, com programas, fomento e na conscientização ambiental dos próprios moradores. Esta Unidade de Conservação mostra que uma comunidade com processo de organização consolidado tem autonomia para tocar projetos como esse”, afirmou.

Tarcísio Rosa, diretor de geração e transmissão da Eletrobras Amazonas Energia, afirmou que a expectativa é dar continuidade à parceria. “É um prazer saber que temos dado o destino certo para esses animais e que a comunidade tem nos recebido muito bem. Isso nos anima a dizer que teremos muito mais”. Em 13 anos, o programa produziu e soltou em ambiente natural cerca de 100 mil filhotes de quelônios.

Fonte: Acessoria

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