Eles foram acusados por moradores de invadir casas e cobrar pedágio. Cacique Sateré disse que tribo sofre preconceito em Iranduba (AM).

Iranduba-AM. Um grupo de 32 indígenas de 13 famílias da tribo Sateré-Mawé participou de uma audiência pública, nesta quinta-feira (31), para debater a permanência deles em Iranduba (AM), que fica a cerca de 25 quilômetros de Manaus. Os índios reclamavam da pressão para deixar uma área onde vivem há pelo menos 16 anos, sob alegação de ofereciam risco para a comunidade local.

Participaram do encontro representantes da Câmara Municipal de Vereadores, técnicos da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Fundação Nacional do Índio (Funai) e moradores da Vila do Ariaú.

A audiência pública entre indígenas e não-indígenas terminou de forma pacífica. Foi firmado o compromisso de assinatura de um termo de convivência, com o objetivo de amenizar a situação de conflito na região, que começou em janeiro deste ano.

Os índios foram acusados por moradores da região de cobrarem pedágio e de invadirem residências. João Freitas Sateré, vice-coordenador da Associação dos Indígenas de Sahu-Apé, negou que os índios estivessem agindo desta maneira. “Não mexemos com ninguém, mas temos programas de sustentabilidade. Temos parceria com o Incra, com a Funai e a própria prefeitura.”

Segundo a Seind, o conflito ocorre em uma área de 24 hectares, enquanto os outros moradores estão distribuídos em 33 hectares. A cacique de Sahu-Apé, Baku Sateré, 57 anos, disse que os índios estão sofrendo preconceito. “Viemos nos defender da acusação contra nossa aldeia, mas existe uma lei contra qualquer tipo de discriminação, que precisa ser cumprida.”, destacou. “Espero que tudo seja resolvido de forma pacífica”, concluiu.

Quinze famílias serão retiradas da região, perto da aldeia indígena, porque estão em área de risco. “Estamos identificando áreas limpas, com condições de trabalho e segurança, para que as famílias sejam removidas com segurança”, afirmou Núbia Rios, advogada do Incra.

Ela propôs ampliar a passagem de acesso ao porto, que fica próximo ao rio Paraná do Ariaú, evitando a passagem por dentro da Aldeia Sahu-Apé.
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