Município já perdeu 20,1% de cobertura vegetal original, 1% a mais do permitido pelo Código Florestal. Situação preocupa

O Município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) é o primeiro do Amazonas a superar o limite máximo de 20% de desmatamento permitido pelo Código Florestal e a situação dele preocupa mais do que a dos municípios do Sul do Amazonas, hoje pressionados pela expansão da fronteira agrícola.

O dado está no documento “Sul do Amazonas, Perspectiva de um modelo de desenvolvimento sustentável” da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).
“Vamos ter de fazer um trabalho ali porque com a questão da ponte a tendência é intensificar esse processo”, analisa a titular da SDS, Nádia Ferreira.
Conforme os dados apresentados no documento, Iranduba já perdeu 20,1% de cobertura vegetal original. O desmatamento no Sul, região que congrega os municípios de Humaitá, Novo Aripuanã, Canutamã, Apuí, Manicoré, Lábrea e Boca do Acre, alcançou até 2009 10,670,20 quilômetros quadrados, o que representava apenas 3,6% da área total dos sete municípios.
O documento da SDS foi elaborado a partir de dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 2009. O Prodes 2010 ainda não foi divulgado.
Conforme o sistema, o município menos desmatado do Estado é Japurá, com menos de 0,1% de perda de cobertura vegetal. Japurá está dentro do conjunto de 44 municípios que desmataram entre 0% e 5%. de seus territórios. Este conjunto representa 71% dos municípios amazonenses e inclui seis dos sete municípios do Sul.
O segundo grupo que menos desmatou reúne sete municípios (11,3% do total), o único do Sul é Boca do Acre, onde a pressão da pecuária é grande. Neste grupo, o desmatamento ficou entre 5,1% e 10%.
No grupo que desmatou entre 10,1% e 20% estão 10 municípios (16,1% do total), entre eles Manaus e outros com tradição na exploração de madeira, caso de Itacoatiara e Silves; ou pecuária, caso de Careiro, Careiro da Várzea e Parintins.
Sul controlado
Para Nádia Ferreira, os números mostram que a situação do Sul é relativamente tranquila e basta ao Estado organizar as atividades produtivas para controlar a situação.
“Lançamos o plano desmatamento ilegal zero em Boca do Acre e Apuí. No dia 19 lançaremos, em Lábrea, de preferência em Extrema onde a pressão é maior”, relatou a secretaria. O plano envolve a legalização dos produtores por meio da adesão deles ao Certificado Ambiental Rural (CAR) e foi desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A estratégia parte do pressuposto de colocar os agricultores na legalidade e, ao mesmo tempo, contar com eles para barrar a chegada dos grandes desmatadores.
“Soubemos pelos agricultores da atuação de um desmatador em Novo Aripuanã, mas quando chegamos ele já tinha derrubado 400 hectares e estava se preparando para derrubar outros 400”, conta o superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio Reis.
Conforme Mário Lúcio, o desmatamento evitado na região foi grande, mas é preciso ficar atento para pecuaristas e madeireiro, pois somente em uma ação efetiva e continuada poderá contê-los.
O combate ao desmatamento no Sul do Amazonas também conta com o sistema Deter, que possibilita ao Ibama chegar na região com menos de três dias após o início da derrubada e queima do terreno. Nesse tempo é possível pegar a derrubada ainda pequena, diferente do que acontece no Mato Grosso, onde com três dias de desmate a região afetada chega a ter mais de 1 milhão de hectares.
Situação deve piorar com a ponte
A situação ambiental de Iranduba tende a piorar com a inauguração da ponte sobre o rio Negro e o adensamento populacional previsto para acontecer na margem esquerda. A estimativa é de que em 10 anos a população do município aumente em até 140 mil habitantes.
Esse adensamento foi detectado num estudo elaborado pelo consórcio formado pelas empresas Vetec Engenharia e Valente a pedido da Secretaria da Região Metropolitana de Manaus.
O trabalho custou R$ 6,8 milhões e estabeleceu o zoneamento de uma área de 100 quilômetros quadrados que estão destinados a atividades industriais, condomínios, parques ecológicos e áreas turísticas e projetos habitacionais.
Para se ter ideia do estrago causado em Iranduba por diversos tipos de atividades econômicas e abertura de loteamentos, alguns irregulares, basta olhar para o quadro de desmatamento em Manaus, hoje apenas o 10º município que mais perdeu cobertura vegetal.
Entre Manaus e Iranduba, pela ordem, aparecem os municípios de Itacoatiara (2º), Careiro da Várzea, Careiro, Parintins, Autazes, Barreirinha, Manaquiri e Silves.
O desmatamento no Amazonas já consumiu 34,3 mil quilômetros quadrados, o que dá ao Estado o quinto lugar no ranking da região com uma contribuição de 4,66% para o total.
Legalidade
A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Nadia Ferreira, diz que há a necessidade de trazer os produtores rurais do Sul do Estado para a legalidade com ações de vários órgãos do governo e do Ibama.
Fonte: Acritica.uol.com.br
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