JORNAL A CRÍTICA

Denúncia aponta que empresa não tinha estrutura para fiscalizar os trabalhos

O Porto de Parintins, que ficou desde 2006 sem operar está sendo reinaugurado em 2011 (Jonas Santos)

As obras dos cincos portos fluviais no Amazonas que tiveram que ser refeitos ou apresentaram problemas estruturais foram fiscalizadas por um órgão sem estrutura técnica. A denúncia, apresentada no último sábado pelo jornal “O Globo”, é feita há uma semana do retorno do senador Alfredo Nascimento ao Congresso. Ele promete explicar no Senado o enriquecimento do filho, Gustavo Nascimento, e as denúncias de corrupção que levaram à saída dele do Ministério dos Transportes.

O atraso na construção de portos no interior do Amazonas foi uma das principais chagas na campanha eleitoral de Nascimento e que o levaram a uma derrota histórica para Omar Aziz (PMN), que havia recebido baixa votação em Manaus dois anos antes. Alguns portos – como o de Humaitá – desabaram (literalmente) em plena campanha.

A tarefa de fiscalização foi dada pelo Dnit à Companhia Docas do Maranhão (Codomar). Porém, relatório da Controladoria Geral da União (CGU) já apontava em 2010 que esta era uma atividade de risco, já que a Codomar é um órgão sucateado. Segundo O Globo, o Dnit pagou R$ 44 milhões por essas obras, dos quais R$ 33,6 milhões foram destinados a Estaleiro do Rio Amazonas (Eram), classificada como inidônea pelo próprio Dnit.

De acordo com o relatório de auditoria, a falta de capacidade técnica da Codomar representa um dos maiores riscos nas obras de portos fluviais no país. Ainda segundo O Globo, o Dnit não se pronunciou sobre a fiscalização das obras no Amazonas.

Problemas

Só no ano passado deram problemas os portos fluviais de Humaitá – que desabou em plena campanha eleitoral – e Itacoatiara. Este ano, foi a vez do porto de Manacapuru. Antes, o porto de Parintins foi para o fundo durante cheia do rio Amazonas.

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