Rim beneficia pacientes locais. Pâncreas e fígado foram enviados para transplante em São Paulo
Manaus – A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) realizou pela primeira vez, no Amazonas, a captação de múltiplos órgãos para transplante. Com a autorização da família, foram retirados os rins, o fígado e o pâncreas de um jovem de 24 anos, que faleceu em decorrência de um acidente automobilístico em Rio Preto da Eva, município vizinho a Manaus.

A captação dos órgãos ocorreu nesta terça-feira, dia 23 de agosto, no Pronto Socorro João Lúcio, onde a vítima teve diagnóstico de morte encefálica. Dois pacientes amazonenses que aguardavam na lista de receptores foram beneficiados pelos rins doados.

José Inácio Bezerra de Araújo, de 41 anos, e Paulo Jorge Fonseca de Araújo, de 51 anos, foram submetidos ao transplante na manhã desta quarta-feira (24) e passam bem. Os demais órgãos foram encaminhados, via aérea, para a capital paulista, para direcionamento a um dos centros transplantadores do Estado de São Paulo.
O procedimento inédito de captação de múltiplos órgãos foi chefiado pelo transplantador Tercio Genzini, que integra a Associação para Pesquisa e Assistência em Transplante (APAT), credenciada pelo Ministério da Saúde para atuação em todo o país.
O médico veio a convite do Governo do Estado e, a partir de agora, deverá fazer visitas mensais a Manaus até a capacitação total das equipes locais, que contam com profissionais da Fundação Hospital Adriano Jorge e do Pronto Socorro João Lúcio.
Treinamento intensivo – Segundo a coordenadora estadual de Transplantes do Amazonas, Leny Passos, é mais um passo no processo de expansão do programa de captação e transplantes de órgãos no Estado.
Além do treinamento em serviço, médicos e enfermeiros amazonenses participam neste fim de semana do treinamento intensivo para extração e acondicionamento de múltiplos órgãos, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
“Ao mesmo tempo em que estamos investindo em qualificação, damos início à implantação do ambulatório para pré e pós transplante de fígado na rede estadual de saúde”, informa Leny Passos.
A estimativa é que, em 2012, os primeiros transplantes do tipo sejam realizados com equipes locais. Atualmente, os pacientes que necessitam de transplante de fígado são encaminhados para outros estados por meio do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Política – A realização de outros tipos de transplante, além dos de rim e córnea, feitos atualmente, faz parte da política estadual de transplantes, que está sendo elaborada com o apoio do Serviço Nacional de Transplantes (SNT), vinculado ao Ministério da Saúde.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, a política irá viabilizar o planejamento de ações nos próximos quatro anos. Neste período, o transplante de coração também deverá ser implantado no Amazonas. Enquanto isso, os órgãos captados aqui serão encaminhados para os centros nacionais, onde nossos pacientes também são atendidos.
Atualmente, mais de 400 pacientes renais crônicos aguardam por um transplante no Estado. Outros 600 esperam por uma córnea. Alecrim lembra que para atender à totalidade da demanda é preciso haver mais doações.
“Mesmo com estrutura adequada, não podemos fazer nada sem a participação da população”, diz o secretário, explicando que a família é quem autoriza a doação de órgãos e que, por isso, é importante que cada um manifeste em vida o seu desejo de ser doador.
Para a doação de órgãos:
– A doação de órgãos, incluindo os rins, só é feita a partir do diagnóstico de morte encefálica, obtido por meio de exame específico, o ecodoppler transcraneano.
– A partir da confirmação da morte, são realizados testes de sorologia no doador, para descartar doenças infecciosas que inviabilizariam o transplante. Também são feitos testes de compatibilidade por meio de exame de HLA que, no Estado, são viabilizados por laboratório especializado, instalado na Fundação Hemoam.
– Os doadores potenciais de órgãos são principalmente vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e trauma craniano, assistidos em Unidades de Terapia Intensiva de hospitais e prontos-socorros.
– A doação pode ser feita por pessoas com idade entre 0 e 60 anos e é preciso que o doador tenha boas condições físicas e nenhuma infecção.
– Todas as unidades de urgência e emergência da rede de saúde do Estado contam com Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott), responsáveis pelo contato com a Central Estadual de Transplantes diante do surgimento de uma possível doação.
– A Central Estadual de Transplantes está instalada na Fundação Hospital Adriano Jorge, na Cachoeirinha, onde já funciona o Banco de Olhos do Amazonas.
– O Amazonas já realizou mais de 170 transplantes de rim e 600 de córnea.
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