Veja respostas para perguntas dos leitores

1a) Qual é o feminino de O MÚSICO?
Na última Aula Extra, eu repondi:
“O MÚSICO é um substantivo sobrecomum, isto é, pertence ao gênero masculino, mas pode designar tanto um homem quanto uma mulher.
Sobrecomum é um substantivo uniforme, pertencente a um único gênero (masculino ou feminino), podendo designar os dois sexos: a criança, a pessoa, a testemunha, o apóstolo, o carrasco, o indivíduo…”
Faltou dizer:
Temos também a opção de usarmos A MUSICISTA, que é um substantivo comum aos dois generos: o estudante/a estudante; o artista/a artista; o jovem/a jovem; o presidente/a presidente; o musicista/a musicista…
2a) As vendas aumentaram entre 18% e 20% ou de 18% a 20%?
Prefiro a segunda opção.
Se as vendas aumentaram de 18% a 20%, significa que o aumento foi de 18% ou 19% ou 20% ou qualquer fração entre 18% e 20%. Nesse caso, fica claro que o aumento pode ter sido de 18% ou de 20%.
Se as vendas aumentaram entre 18% e 20%, parece que o aumento foi de 19% ou qualquer fração entre 18% e 20% (=sempre mais que 18% e menos que 20%).
Guardadas as devidas proporções, vejamos um outro exemplo. Se um corredor chegar entre o 3º e o 5º colocado, significa que ele foi o 4º colocado. Se outro corredor deseja chegar do 3º ao 5º lugar, é porque ele fica satisfeito com o 3º, com o 4º ou com o 5º lugar.
3a) Há crase ou não?
Na frase, “A previsão é de arrecadação igual ou superior a deste ano”, está faltando o acento indicative da crase?
Nossos leitores têm razão. Faltou o acento indicativo da crase: “…arrecadação igual ou superior à deste ano.”
A preposição “a” é exigência dos adjetivos IGUAL e SUPERIOR. Tudo que é igual ou superior é igual ou superior “a” alguma coisa. O outro “a” é um pronome demonstrativo que substitui o substantivo ARRECADAÇÃO: “A previsão é de arrecadação igual ou superior a + a (=arrecadação) deste ano”.
4a) O uso do hífen com o prefixo SUB mudou com o novo acordo ortográfico?
Com o prefixo SUB, só devemos usar o hífen quando a palavra seguinte começar por “b” ou “r”: sub-base, sub-reino.
Se a palavra seguinte começar por qualquer outra letra, devemos escrever “tudo junto”: subententido, subemprego, suboficial, subdelegado, subchefe, subgerente, subsequente, subeditor, subitem, subsecretário…
Segundo o novo acordo ortográfico, a única novidade é o uso facultativo do hífen quando a palavra seguinte começa por H: sub-humano ou subumano, sub-hepático ou subepático…
5a) Não se PODE ou PODEM fechar bibliotecas?
Leitor estranhou o título de um artigo jornalístico: “NÃO SE PODEM FECHAR BIBLIOTECAS”.
A concordância está correta. É um caso de voz passiva sintética. A partícula “se” é apassivadora. BIBLIOTECAS exerce a função de sujeito. Como o sujeito está no plural, o verbo concorda no plural. É o mesmo que dizer: BIBLIOTECAS NÃO PODEM SER FECHADAS.
Observe outros exemplos:
ALUGAM-SE apartamentos (= Apartamentos são alugados);
CONSERTAM-SE bicicletas (= Bicicletas são consertadas);
DEVEM-SE evitar formas rebuscadas (= Formas rebuscadas devem ser evitadas);
Não se FIZERAM os estudos necessários. (= Os estudos necessários não foram feitos).
6a) TINHA ou TERIA?
Leitor não gostou da frase: “Se não fosse favoravelmente, o juiz tinha indeferido”.
O leitor tem alguma razão. Ele acha que o correto seria o uso de TERIA (= futuro do pretérito) em vez de TINHA (= pretérito imperfeito do indicativo), para respeitar a correspondência dos tempos verbais: pretérito imperfeito do subjuntivo (= FOSSE) com o futuro do pretérito (= TERIA).
É o mesmo caso de:
“Se não CHOVESSE, eu IRIA ao jogo”.
“Se ainda HOUVESSE tempo, ele DEVERIA aceitar o caso.”
O uso do pretérito imperfeito do indicativo em lugar do futuro do pretérito do indicativo não é um erro gramatical. No português de Portugal, isso é muito frequente e aparece, inclusive, em textos clássicos. Há vários exemplos em Os Lusíadas, de Luís de Camões.
No Brasil, hoje em dia, isso está virando realidade. É muito comum ouvirmos: “Se não chovesse, eu IA ao jogo”.
Embora não seja erro, prefiro o uso do futuro do pretérito: “Se não chovesse, eu IRIA ao jogo”.

Fonte: G1.globo.com
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