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Em Iranduba, alunos de Arqueologia da UEA concluem escavações para pesquisa sobre solo amazônico

Em Iranduba, alunos de Arqueologia da UEA concluem escavações para pesquisa sobre solo amazônico
Iranduba/Am – Urnas funerárias de cerâmica, vestígios de habitações indígenas datadas em pelo menos 800 a 1.200 anos e uma troca de experiências inédita no Estado. Estes foram os saldos das escavações do projeto “Sítio-Escola em Terra-Preta de Índio”, encerrado no último sábado, 6 de agosto, em Iranduba (município a 27 quilômetros da capital), que teve a participação de acadêmicos do curso de Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e de outras instituições do país, além de profissionais da área.

O material coletado subsidiará uma pesquisa coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o objetivo de desvendar a formação solo amazônico terra-preta de índio, considerado um dos mais férteis existentes. Foram quatro semanas de trabalho intenso no campo experimental do Caldeirão, uma área de 23 hectares, reunindo 40 pessoas, sendo 18 acadêmicos de Arqueologia da UEA, curso pioneiro no Norte do país.
A descoberta de itens arqueológicos na terra-preta de índio, de acordo com o coordenador do curso, Bruno Moraes, não é rara, visto que esse tipo de solo resulta da atividade de culturas humanas do passado. “Estamos tentando entender quais foram os processos sociais e culturais que deram origem a este solo, que é recente e que tem uma fertilidade muito distinta do solo original da Amazônia”, explicou.
É a partir dessas respostas que o estudo poderá ser capaz de identificar uma maneira de replicar a terra-preta de índio, o que poderia contribuir, de forma sustentável, com a produção agrícola do Estado. “Nosso grande objetivo é estabelecer um modelo de criação e evolução da terra-preta de índio”, apontou o coordenador do projeto e pesquisador da Embrapa, Orlando Paulino.
O próximo passo da pesquisa é encaminhar os achados para análise laboratorial. As urnas funerárias serão enviadas ao laboratório de arqueologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); amostras de carvão orgânico contidos na terra-preta serão levados para um laboratório na Flórida, nos Estados Unidos; e o solo ficará por conta da Embrapa Amazônia Ocidental.
Também integram projeto as unidades da Embrapa do Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Acre, Rondônia e Amapá, além do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Universidades Federais do Pará (UFPA) e de Santa Catarina (UFSC), University of Kansas (EUA) e Universidade de Wageningen (Holanda).
Contribuição acadêmica
Na avaliação de Bruno Moraes, o maior ganho com a presença dos futuros arqueólogos da UEA em atividades com essa é a oportunidade de adquirir experiência. Nesse sentido, ele destaca que a universidade promove atividades de campo anualmente. “Esse é o terceiro sítio-escola que participamos. O melhor é fazer com que os alunos se envolvam em pesquisas científicas. As mais interessantes e produtivas são em períodos de sítio-escola”.
Criada em 2009, a graduação em Tecnologia em Arqueologia da UEA é pioneira na região Norte do Brasil e surgiu com a missão de preencher a lacuna de arqueólogos no Estado. Segundo informações do coordenador do curso, o Amazonas possui apenas três profissionais dessa área em atuação no momento. E o mercado, conforme Bruno Moraes, é promissor.
“Há muito mercado no Brasil atualmente. A arqueologia é uma das áreas necessárias para compor as licenças ambientais. Obras precisam de um estudo arqueológico para a emissão de licenças ambientais para que o empreendimento possa ser feito”, afirmou. “Estamos dando um pequeno passo em relação a isso formando esses 18 alunos. Espero que a gente consiga atingir a demanda para que haja uma oferta contínua.”
Com o trabalho de conclusão de curso acerca da cerâmica de sítios arqueológicos de Iranduba, o acadêmico da UEA, Francisco Vilaça, 26 anos, considerou “riquíssima” a chance de ter passado quatro semanas vendo a teoria dá lugar a prática. “Conheci vários pesquisadores, gente do Sul, do Sudeste. Foi muito bom o aprendizado e somou muito no nosso conhecimento”, garantiu.
Sobre a terra-preta de índio
A terra-preta de índio é um solo encontrado na região amazônica, que tem sua origem relacionada a povos ancestrais pré-colombianos, no período entre 8 e 12 D.C. Pesquisadores e instituições mantêm pesquisas para entender a formação desse solo desde a década de 90, por ser considerado um dos mais férteis do mundo.
É caracterizado pelo grande acúmulo de matéria orgânica e apresentam nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono. Com base nos estudos sobre as terras pretas, cientistas de todo o mundo vem desenvolvendo técnicas para reproduzir fertilidade semelhante, como o Biochar (biocarvão).
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