Parte da produção será vendida nos supermercados da Rede Pão de Açúcar que, no início do ano, durante a realização do 2º Fórum Mundial de Sustentabilidade, firmou parceria com o Governo

Manaus – O governador Omar Aziz inaugurou nesta quinta-feira, 25 de agosto, em Maraã (a 635 quilômetros de Manaus), a primeira fábrica do ‘Bacalhau da Amazônia’, produzido a partir do pirarucu. Na presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Luiz Sergio de Oliveira, do secretário estadual de Produção Rural, Eron Bezerra, do prefeito de Maraã, Dilmar Ávila, e da senadora Vanessa Grazziotin, entre outras autoridades, Omar Aziz acompanhou todo o processamento do pirarucu, cujo produto final já tem mercado garantido, inclusive fora do Estado. Mostras do bacalhau embalado e pronto para o consumo foi entregue às autoridades presentes.

Parte da produção será vendida nos supermercados da Rede Pão de Açúcar que, no início do ano, durante a realização do 2º Fórum Mundial de Sustentabilidade, firmou parceria com o Governo do Estado para comprar o pescado proveniente do manejo praticado nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Estado. Além de Maraã, com capacidade de processar 1,5 mil toneladas por ano, uma outra fábrica será inaugurada, ainda este ano, em Fonte Boa (a 680 quilômetros de Manaus), com capacidade para 3 mil toneladas/ano.
As fábricas serão abastecidas com o pescado de áreas de manejo, como a reserva de Mamirauá e outras RDS da região. Para o governador Omar Aziz, este é o tipo de projeto que interessa ao Amazonas pelo seu caráter sustentável e por garantir o desenvolvimento de toda a cadeia do pescado. “Vamos gerar empregos diretos, mas muito mais indiretos, pois iremos beneficiar os pescadores, valorizando o produto e garantindo mercado e preço justo, dando oportunidade ao homem do interior de melhorar a sua renda”. A estimativa é de geração de 150 empregos diretos e outros 5 mil indiretos somente com a fábrica de Maraã.
Para o ministro Luis Sérgio de Oliveira, a indústria de Bacalhau da Amazônia tem tudo para ser um sucesso, levando em consideração que o Brasil é o segundo maior consumidor de bacalhau, depois de Portugal. “O Bacalhau da Amazônia vai chegar no cardápio dos restaurantes do Amazonas e também do resto do Brasil”, comentou o ministro.
Mercado – Segundo o secretário de Produção Rural, Eron Bezerra, há uma demanda muito grande por produtos sustentáveis, em especial o pirarucu salgado fruto de manejo. O site da indústria de Bacalhau, disse Eron, recebeu dois mil pedidos em uma semana. Ele afirmou que, além do Grupo Pão de Açúcar, também há um acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel/AM) para a comercialização direta do produto industrializado com a cadeia de restaurantes local.
O secretário destacou que, junto com o processo de industrialização, está sendo criado um selo, que vai atestar o processo de fabricação conforme a legislação, com o aval da da Comissão de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Codesav) e do Ministério da Agricultura. A partir de então, os órgãos de fiscalização poderão atuar com mais rigor na fiscalização contra a comercialização ilegal deste tipo de produto. “A industrialização desencadeia todo um processo que vai combater inclusive a pesca ilegal”, conclui.
Pescadores – Para as famílias dos mais de 700 pescadores associados à Colônia de Pescadores de Maraã, a indústria de salga do pirarucu representa mais que um diferencial na renda. É o reconhecimento do pirarucu salgado como alimento atestado pelo Ministério da Agricultura. “Eu como pirarucu salgado desde que me conheço por gente e não sabia que este não é um alimento reconhecido pelo Ministério da Agricultura. Agora, com o processo industrial, nosso produto será legalizado”, comemorou o pescador Luis Gonzaga Matos.
Ele e os irmão José Nonato e Miguel Arcanjo, comandam uma equipe de pescadores do lago Camapi, em uma reserva municipal, próximo à sede de Maraã.
A expectativa dos irmãos Matos está na valorização do pescado e na garantia de mercado, com a instalação da fábrica de salga. O quilo do peixe fresco, que antes era vendido a cerca de R$ 3,00 pelos pescadores, será repassado a R$ 5,50 para ser processado na fábrica de bacalhau. Além do pagamento recebido pelo produto entregue à fábrica, os pescadores terão participação em parte do lucro após a comercialização do produto no mercado. Outra parte será usada em benefícios sociais, como a instalação de creche para os filhos dos pescadores e para a melhoria das instalações e manutenção do empreendimento.
Em princípio, a gestão da fábrica ficará sob a responsabilidade da Fundação Açaí, ligada ao Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com a participação da administração municipal e a Colônia de Pescadores locais. A idéia é que com a capacitação e preparação dos
pescadores, eles mesmos passem a gerenciar o empreendimento.
Agenda – Ainda no município Maraã, o governador Omar Aziz entregou 320 notebooks para professores municipais. Hoje, ainda visita Japurá e Tefé, onde também entrega notebooks e na sexta-feira, 26, vai a Uarini para entregar computadores portáteis, e Alvarães, onde também inaugura uma escola e uma estrada.
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