POR: ANTÔNIO PAULO
Ele promete apontar, em breve, os nomes de figuras importantes do Amazonas que, segundo ele, são os responsáveis pela rede de maldades e injustiças que cometeram contra ele, contra a família

Alfredo Nascimento do PR ficou sete anos como Ministro dos Transportes(Euzivaldo Queiroz)
Cinquenta e quatro dias depois de deixar o Ministério dos Transportes, sob acusação de transformar a pasta em um bunker do Partido da República (PR) e acossado pelas denúncias contra o filho Gustavo Nascimento, que teria aumentado o patrimônio em 86.500%, o senador Alfredo Nascimento resolve falar com a imprensa.

Desde o dia 6 de julho, o senador fez dois pronunciamentos no Senado: um para se defender das acusações e outro para anunciar a saída do bloco do Governo, levando o PR para a independência política.
Nessa entrevista exclusiva para A CRÍTICA, concedida na terça-feira (23), em seu gabinete no Senado Federal, Alfredo Nascimento contra-ataca: promete apontar, em breve, os nomes de figuras importantes do Amazonas que, segundo ele, são os responsáveis pela rede de maldades e injustiças que cometeram contra ele, contra a família e os amigos dele. “Quem estiver escondido atrás dessas maldades que fizeram comigo, eu vou mostrar a cara no tempo certo”, prometeu.
Alfredo também fala da possibilidade de voltar à base do Governo, de quem já recebeu convites, mas faz exigências para esse retorno como a conclusão da BR-319 (estrada que liga o Amazonas a Rondônia), a construção do Porto de Manaus e da Manaus Moderna. “Sem esse compromisso, não há a menor possibilidade de acordo”, afirma o senador.
O ex-ministro dos Transportes reafirma que pediu demissão do cargo por falta de apoio do Governo da presidente Dilma Rousseff e revela os episódios que levaram à “fritura” dele e a consequente saída do Ministério dos Transportes. Diz não estar “morto politicamente” e promete participar das eleições municipais de 2012, com candidatura própria do PR à Prefeitura de Manaus. A seguir, os principais trechos da entrevista com o senador Alfredo Nascimento.
O senhor pediu demissão ou a presidente Dilma o demitiu?
Eu pedi para sair porque percebi que não tinha, por parte do Governo, a sustentação que a presidente disse que eu teria. E vou citar três episódios: após a publicação da “Veja”, a presidente mandou me pegar, em um avião, no domingo (3 de julho) e conversamos na Granja do Torto. Foi uma conversa muito boa. Ela disse que conhecia a minha índole, que confiava em mim e que teria que ficar para conduzir as investigações realizadas pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público. Na segunda-feira, pela manhã, (4 de julho) a ‘Folha de São Paulo’ traz uma entrevista com o Jorge Hage (da CGU) dizendo que a corrupção está no DNA do Dnit. Ora, como iria investigar com um cara que está lá no Governo (Hage) fazendo essa afirmação? Prestei atenção, mas fui em frente.
Que medidas o senhor tomou em relação às obras?
Mandei ofício, suspendi as obras por 30 dias como ficou acertado. Tomei todas as providências. Na terça-feira à noite (5 de julho), recebi um documento confidencial, do Conselho de Ética da Presidência da República dizendo que havia sido punido com advertência no caso da conversa com o um deputado do Maranhão (Davi Almeida) em que brinco dizendo que se estava conseguindo obras sendo do PDT, imagine quando chegasse ao PR. Isso havia ocorrido há três anos. Coincidentemente a “Isto É” circulou na quarta-feira (6 de julho), matéria de capa, com esse assunto. Guardei aquilo pra mim, mas achei muito estranho. Ao meio-dia, o doutor Paulo Sérgio (então secretário Executivo), liga e diz que fora convidado para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, às 15h, no Palácio do Planalto, junto a ministra Mirian Belchior e o ministro Fernando Bezerra para tratar da ferrovia Transnordestina. Ora, não contei duas vezes. Se sou o ministro e tem um assunto do Ministério para tratar, já não tinha sido chamado para a primeira reunião (a que Veja publicou sobre as denúncias) e agora, chamam meu secretário executivo e não a mim? Comunicamos a demissão primeiramente à imprensa e depois mandei entregar a carta no Palácio do Planalto às 17h.
O Governo convidou o PR a retornar à base aliada. Existe essa possibilidade?
Se o partido vier a retornar à base, algumas coisas terão que ser corrigidas. A atuação de alguns membros do partido foi colocada sob suspeição, inclusive a minha. Existe uma apuração em curso. Antes que a apuração seja concluída e que o Governo venha a público dizer quem são os culpados e quem são os inocentes, não vejo nenhuma possibilidade de nós voltarmos a discutir a participação na base do Governo novamente sem que essas questões sejam esclarecidas. Para participar do Governo, o PR tem que ter o respeito e a confiança que sempre teve.
Qual é a sua condição para voltar a ser aliado do Governo?
A minha volta ao Governo tem a ver com os interesses do Estado do Amazonas. Não existe qualquer possibilidade de eu retornar à base aliada se a BR-319 não for construída. Havia o compromisso do ex-presidente Lula para comigo e com a sociedade amazonense e é um compromisso da presidente Dilma. Não esqueço o que a presidenta Dilma disse pra mim: “Alfredo, fique tranquilo com a BR-319 porque se nós não fizermos essa rodovia eu perco o meu pescoço”. Eu vou repetir isso em tudo quanto é lugar. Além da BR-319, se quiserem que eu volte a apoiar o Governo, o porto de Manaus e a Manaus Moderna terão que ser construídos. Essas são as minhas exigências. Se não voltar ao Governo, vou cobrar tudo isso como oposição.
Na independência, como o PR vai atuar nas votações do Congresso Nacional?
Ser independente não é liberar a bancada. Se o partido estabelecer algumas regras, elas têm que ser cumpridas porque existem as regras partidárias, como estatuto, e o parlamentar tem que cumprir. Na independência, o partido pode orientar a bancada da seguinte forma: a esse projeto nós somos contra ou nessa proposta, vamos votar a favor. Não estou dizendo que vai ser desse jeito, pois, estamos na fase da maturação para definir, mas esse é o meu ponto de vista.
O senhor vai assinar a CPI da Corrupção?
Não vou assinar a CPI. Vai parecer revanchismo pelo fato de a gente ter estado no Governo e termos sido desalojados desse mesmo Governo. Eu pedi demissão do Ministério, no dia 6 de julho, às 17h. No dia seguinte, protocolizei, na Procuradoria Geral da República (PGR), um pedido de investigação contra mim e autorizei a quebra do meu sigilo bancário e fiscal. Eu pedi uma CPI para mim. Quero ver um político do Amazonas fazer o que eu fiz.
Por que o senhor cita especificamente os políticos do Amazonas?
Porque tudo o que aconteceu foi uma maldade que fizeram contra mim. O jogo da política no Amazonas é muito baixo e chega a níveis que ninguém acredita. Envolveram meu filho (Gustavo Morais Pereira) numa maldade sem igual. Ele foi sócio de uma empresa (Forma Construções), de 2004 a 2009; tinha um capital social de R$ 60 mil que foi alterado ao longo dos anos. Para comparar o capital social, fizeram a seguinte conta: tinha R$ 60 mil na abertura da empresa e o ativo da empresa em 2009 era de R$ 62 milhões. O ativo da empresa é quanto vale aquele empreendimento e o passivo é quanto se gasta para construir o prédio. O patrimônio da empresa é a diferença entre ativo e passivo. A notícia que saiu do Amazonas para a imprensa nacional é que o patrimônio do meu filho cresceu 86.500%. Quando ele deixou a empresa, o patrimônio líquido foi dividido por três sócios no valor R$ 1.601.000 conforme consta do balanço patrimonial da declaração do Imposto de Renda.
E sobre os negócios que o seu filho Gustavo teria com uma empresa que recebia recursos do Fundo da Marinha Mercante?
Isso também faz parte da rede de maldades. O que fizeram com um casal de amigos meus, a Auxiliadora Carvalho, que trabalhava no Dnit, e o marido dela, Marcílio Carvalho… Ele tem uma empresa que recebe recursos do Fundo da Marinha Mercante, uma espécie de ressarcimento do imposto pago. Todas as empresas de navegação interior recebem de volta o valor do imposto que é pago para renovação de frota. Isso é regra, é lei. O meu filho morava em um apartamento na Ponta Negra e vendeu esse apartamento que ele morava para o Marcílio, marido da Auxiliadora. Ambos registraram o valor da compra e venda, no valor de R$ 450 mil, no Imposto de Renda. Isso foi jogado pelo Ronaldo Tiradentes, lá atrás, que esse dinheiro era resultado de uma propina que o Gustavo tinha recebido, mas era a venda do apartamento que já está provado pela Receita Federal. Destruíram a vida da doutora Auxiliadora e do marido dela, Marcílio Carvalho.
A Polícia Federal está investigando esse caso?
Fizeram essa publicação de forma irresponsável e não vou dizer o nome de quem fez, ainda, mas tem gente importante por trás disso. As investigações da Polícia Federal dão conta de que contrataram um blog de um tal Antônio Zacarias, que é operado por um presidiário, um bandido que está na penitenciária do Amazonas e foi contratado para fazer essas publicações a respeito do casal. Na hora certa, eu vou dizer ao Amazonas quem é a pessoa importante que está por trás disso.
Fonte: acritica.uol.com
Jornal de Humaitá – O portal de notícias do Amazonas
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