Setrab avalia potencial de geração de empregos verdes no Estado
Manaus – Com elevado potencial em economia de baixo carbono, o Amazonas espera gerar nas próximas três décadas cerca de 150 mil novos postos de trabalho a partir de projetos econômicos sustentáveis que geram emprego e renda com impacto ambiental reduzido. Para orientar ações futuras na área, a Secretaria de Estado de Trabalho (Setrab) realizou, nesta quinta-feira (4), o ‘I Seminário Empregos Verdes para o Desenvolvimento do Amazonas’, reunindo representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de institutos econômicos e ambientais brasileiros.

A estimativa de geração de novos empregos com os projetos de economia de baixo carbono no Amazonas é baseada na projeção de novos postos de trabalho no Brasil, feitas pela OIT a partir das tendências de investimento do governo brasileiro e dos setores produtivos. “É nessa perspectiva que queremos nos inserir nesse mercado. Em todo o mundo, a OIT está falando em vinte milhões de empregos nos próximos trinta anos. Se gerarmos menos de 1% disso já teremos um novo distrito industrial”, frisou o secretário executivo da Setrab, Adilson Vieira.
No Amazonas, os chamados empregos verdes estão concentrados nas atividades desenvolvidas nas 41 Unidades de Conservação (UCs) e nas oito cadeias produtivas florestais, que integram a política de sustentabilidade do Governo do Estado. De acordo com o coordenador do programa de empregos verdes da OIT, Paulo Sérgio Moçouçah, as ações são importantes porque regularizam os trabalhadores e as atividades econômicas.
“Isso é um desafio porque grande parte dos trabalhadores do setor está na informalidade, a própria atividade, a maior parte dela, está na informalidade. Então, todas as medidas que possam impactar favoravelmente no sentido de fazer com que essa cadeia se consolide, se formalize, aumente a renda auferida e o número de empregos formais, são importantes”, afirmou o representante da OIT.
Segundo Moçouçah, a economia de baixo carbono no Brasil envolve produção e manejo florestal, geração de energia renovável, saneamento básico, tratamento de resíduos, reciclagem, alternativas na área de transporte, telecomunicações e programas de teleatendimento. No País, cerca de 2,653 milhões de empregos são gerados a partir da economia de baixo carbono, o equivalente a 6,73% do total de empregos formais existentes no País. Esse percentual de participação é similar ao registrado por países europeus e pelos Estados Unidos, que gira em torno de 7%. “Isso mostra que nós estamos bem. Mas temos potencial para crescer mais”, disse.
Na região amazônica, a vocação está nas atividades ligadas à produção florestal, a que mais gera empregos verdes no País. Atualmente, a região responde pela metade do mercado de produtos florestais brasileiro. Com mais investimentos, a aplicação de novas tecnologias e a qualificação de pessoal, os resultados podem ser bastante melhorados, aponta Vieira.
“Boa parte da nossa economia de baixo carbono é baseada no interior. Nas nossas unidades de conservação e nas cadeias produtivas, ou seja, na floresta. Mas temos potencial maior. Precisamos fazer investimentos em infraestrutura, na qualificação dos trabalhadores, melhorar pesquisas de inovação tecnológica e aplicá-las na prática. Temos um potencial imenso em biomassa, gás e recursos hídricos que precisam ser mais explorados nos próximos anos, seguindo exemplo de países como a Índia, a China e a África, que não têm esses recursos disponíveis em abundância, como nós, mas estão gerando bastante emprego”, disse.
Com uma economia de baixo carbono, a proposta é reduzir os impactos ambientais e a emissão de gases de efeito estufa causados pelos diversos setores da economia. Para a OIT, os chamados ‘empregos verdes’ são aqueles que reduzem o impacto das empresas no meio ambiente e dos setores econômicos a níveis que sejam considerados sustentáveis, além de reduzir a necessidade de energia e matérias primas.
O ‘I Seminário Empregos Verdes para o Desenvolvimento do Amazonas’ contou com a participação de representantes da OIT, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e da Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego (Semtrad)
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