Físico Paulo Artaxo, da UPS, diz que a quantidade de valor de água emitida pela floresta é grande e média para Manaus é de 70 a 80%.

A perda de vegetação que Manaus vem sofrendo nos últimos anos não é fator preponderante para a queda da umidade do ar (Clovis Miranda/ACRITICA)

Umidade baixa em Manaus como a registrada nesta quinta-feira (11) foi considerada “impensável e inusitada para a Amazônia” pelo físico Paulo Artaxo, membro do IPCC (sigla em inglês de Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

“A umidade relativa do ar expressa a quantidade de vapor de água na atmosfera. Em Manaus os valores normais de umidade vão de 70 a 90%, pois é uma região normalmente muito úmida, com alta concentração de vapor de água”, disse o físico, em entrevista ao portal acrítica.com.

Paulo Artaxo, que é professor da Universidade de São Paulo (UPS), disse que a quantidade de vapor de água emitida pela floresta no entorno de Manaus é muito grande e é difícil imaginar uma umidade relativa do ar tão baixa como 18% em Manaus, ou na Amazônia em geral.

“Esperamos que este episódio dure pouco, e que a condição normal do funcionamento do sistema climático Amazônico seja restabelecido”, comentou o físico, que coordena um estudo sobre mecanismos de interação entre a floresta e o clima na região amazônica por meio da emissão de partículas de aerossóis em parceria entre a USP e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Clima
Segundo o físico, a perda de vegetação que Manaus vem sofrendo nos últimos anos não é fator preponderante para a queda da umidade, mas pode ajudar a potencializar fatores meteorológicos de larga escala.

“Se esta redução da umidade do ar é combinada com alta exposição à concentrações de poluentes atmosféricos como ozônio e monóxido de carbono, que são emitidos em queimadas, a situação fica ainda mais crítica”, destacou.

Indagado se há associação direta entre um evento extremo e as mudanças climáticas, ele respondeu que “isto não é possível vínculos diretamente, mas não é possível excluir essa possibilidade a longo prazo”.

Saúde
Paulo Artaxo explicou que a baixa umidade relativa do ar favorece o agravamento de irritações do sistema respiratório, alem de contribuir para o agravamento de uma série de doenças.

Ele recomendou à população o uso de umidificadores de ambiente. As pessoas mais susceptíveis, como idosos com problemas respiratórios, devem fazer inalação com soro fisiológico duas a três vezes ao di, visando a hidratação do pulmão.

Atualmente, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Inpa e Uspa realizam um experimento em parceria com a Empraba no Norte de Manaus, .

Os pesquisadores estudam o transporte de vapor de água na região, com equipamentos (chamado de Lidar) que medem o perfil vertical de vapor de água até 12 quilômetros de altura. Isto permitirá, após análise dos dados, um diagnóstico das razões meteorológicas desta excessiva baixa de umidade relativa do ar.

Previsão

Nesta sexta-feira (12) a umidade relativa do ar em Manaus foi registrada em 30%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Este percentual vale para todo o Amazonas.

Segundo Lúcia Gularte, chefe do Inmet, a previsão é que os índices de umidade relativa voltem a ser menos de 30%. As temperaturas continuarão elevadas. Não há previsão de chuvas.

Redação acritica.com

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