O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), desarticulou uma quadrilha que planejava fraudar o Vestibular 2011 da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realizado nos dias 11 e 12 de dezembro. A investigação, comandada pela Secretaria Executiva de Inteligência da SSP, impediu a violação do certame e já resultou no indiciamento de seis suspeitos e na prisão preventiva do professor Tomas Gomes de Souza, suspeito de liderar o grupo. Outros quatro candidatos estão sendo investigados por participação na tentativa de fraude.

A quadrilha não teve acesso prévio às provas do Vestibular 2011. Conforme apontam as investigações, os líderes do grupo estavam inscritos regularmente para fazer o vestibular e planejavam realizar a prova e repassar a resposta das questões aos candidatos que pagaram para obter o resultado. Os líderes utilizariam uma caneta com uma micro-filmadora que captaria as imagens das questões, sairiam das salas de provas, responderiam as questões em outro local, na sede do curso Centro da Física, de propriedade do professor Tomas Gomes e, de lá,  enviariam o gabarito de respostas através de mensagens de celular para os candidatos envolvidos na tentativa de fraude.
“Eles não conseguiram concretizar o plano de fraude, pois nós os prendemos antes deles entrarem nas salas de aula. Isso garante que o vestibular teve seu sigilo mantido, respeitado”, destacou o secretário executivo de Inteligência, Thomas Vasconcelos. “Mais uma vez demos provas da competência e do serviço profissional da polícia em nos anteciparmos aos fatos com a prisão dos envolvidos e a identificação de todos que estavam no processo, evitando assim a consumação do delito. Isso totalmente respaldado na lei”, reforçou o secretário de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital.
As investigações do setor de inteligência da SSP começaram na quarta-feira (7), após comunicação do reitor da UEA, José Aldemir de Oliveira. “Nós recebemos denúncia de um vestibulando que foi procurado para fazer parte do esquema, mas se recusou. Tão logo ficamos sabendo dessa informação, comunicamos a Secretaria de Segurança Pública”, disse o reitor.
Segundo o secretário de Inteligência, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça conseguiram flagrar alguns momentos em que a quadrilha planejava os últimos detalhes da ação. O professor Tomas Gomes foi preso na manhã de sábado (10), antes do início das provas do vestibular, enquanto tentava entrar na Escola Estadual Primeiro de Maio, na Praça 14, zona sul. Os outros envolvidos na tentativa de fraude foram retirados das salas antes do início da aplicação das provas do vestibular.
“Uma das nossas preocupações era com o sigilo da prova. Ninguém tinha a prova antes, tanto que eles teriam de entrar na sala para obtê-las. Não houve a concretização da tentativa de fraude, visto que as pessoas foram detectadas e presas. Por isso, o concurso não vai ser anulado e o certame prossegue normalmente”, afirmou o reitor da UEA.
A tentativa de fraude era direcionada ao curso de Medicina, o mais concorrido da instituição. Além de Tomas Gomes, a polícia indiciou, por participação na tentativa de fraude, o estudante universitário Carlos Alberto Oliveira da Silva Junior, que faz o 4º período de medicina na UEA. Alberto conheceu Tomas quando se preparava para fazer vestibular. Ele ministra aulas particulares de Biologia, matéria cujas questões da prova ele ficou responsável por responder. Ele não se inscreveu no vestibular, mas foi detido na companhia de Tomas nas proximidades da Escola.
O estudante do 10º período do curso de Engenharia da Computação da Ufam, Bráulio Nogueira de Carvallo, também foi indiciado por envolvimento na quadrilha. Funcionário público municipal, Carvallo participaria da fraude respondendo questões e repassando a Tomas.
Outro indiciado pela polícia foi o estudante do curso de Medicina de uma faculdade particular de Manaus, Hugo Cardoso de Andrade. Ele responderia as questões de Biologia, Química e Inglês. Ao ser detido pela polícia, Hugo portava uma carteira de identidade falsa em nome de Rogério Pinheiro de Brito. O documento teria sido entregue por Tomas para que Hugo fizesse a prova no lugar de Rogério, recebendo R$ 4 mil.
Um dos intermediários no recrutamento de candidatos interessados em participar da fraude também foi preso pela polícia. É o estudante do curso de Agronomia da Ufam, Leandro Eduardo Vilaça Prado, conhecido como Calango. Pelas investigações, Prado negociou com Rafael Brito Campos para repassar o gabarito de respostas da prova. Rafael Brito, que também foi indiciado por participação no crime, teria desembolsado R$ 3 mil para receber as respostas. Rafael não teve acesso ao seu telefone na hora da prova por orientação dos fiscais e foi retirado da sala antes do início das provas.
Outra indiciada por participação na tentativa de fraude é a estudante Flávia Silva Parari, que receberia respostas das questões da prova. Ela teve o aparelho de telefone celular recolhido por fiscais do Vestibular e foi retirada da sala pela polícia.
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