O faturamento dos produtores de Maraã que fornecem pirarucu para a Fábrica de Bacalhau da Amazônia, inaugurada pelo governador Omar Aziz, em agosto do ano passado, teve acréscimo de quase 100% só nos quatro primeiros meses de operação da fábrica. Os dados são da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror).

Enquanto em 2010 o quilo do peixe era vendido entre R$ 2,50 e R$ 3,50, em 2011 o Governo do Amazonas comprou o produto a R$ 5,50, o quilo, garantindo ao produtor um lucro de até R$ 3 por quilo. No total, o Estado adquiriu, no ano passado, 160 toneladas de pirarucu produzido em área manejada.
Segundo o titular da Sepror, Eron Bezerra, os números foram possíveis graças à instalação da fábrica que dá garantias ao produtor rural. “O Governo conseguiu solucionar dois problemas de uma vez só. Isso porque nós elevamos o preço pago ao produtor e acabamos com a falta de mercado, já que a Fábrica de Bacalhau da Amazônia tem capacidade de processar tudo o que hoje é produzido”, afirma.
Ainda de acordo com Eron, a atividade também pode ser considerada autossustentável. Ele explica que, de uma forma geral, o processo de industrialização do pescado costuma ter perdas, mas, no caso da indústria de Maraã, isso não aconteceu. Para que a produção fosse economicamente viável, das 160 toneladas de pirarucu adquiridas seria necessário transformar em produto final pelo menos 30 toneladas. “O Amazonas ultrapassou essa meta. De todo o peixe comprado pelo governo, nós aproveitamos entre 60 e 80 toneladas. Somos autossustentáveis”, comemora o secretário.
Peixe seco – A expectativa agora para 2012 é no mínimo triplicar a produção da Fábrica de Bacalhau da Amazônia. Para isso, além do pirarucu a fábrica passará a beneficiar outros peixes da região, como o jaraqui por exemplo. A ideia é trabalhar com peixe seco e não só com bacalhau.
“A despesca do pirarucu acontece em novembro e o beneficiamento da produção termina pouco tempo depois. Nos meses seguintes vamos salgar outros tipos de pescado, assim poderemos comprar outros peixes”, detalha Eron Bezerra.
Nova fábrica – Este ano também deverá ser inaugurada outra indústria como a de Maraã, no município de Fonte Boa (distante 676 quilômetros de Manaus). Juntas, as duas fábricas poderão processar 5 mil toneladas de peixe. A unidade em Fonte Boa é fruto de uma parceria com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
A produção das duas indústrias do Bacalhau da Amazônia têm mercado garantido não só em Manaus, mas em grandes redes de supermercados, como o Pão de Açúcar que, até março de 2012, deverá comercializar o produto em suas lojas em todo o País. Também há um acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-AM) para fornecimento do produto à cadeia de restaurantes de Manaus.
“Não podemos depender somente de um modelo de desenvolvimento como é o caso do Polo Industrial de Manaus. Essa é a política do governador Omar Aziz, de agregar valor à matéria-prima regional, gerar oportunidades e aumentar a renda da população”, afirma o secretário da Sepror.
Qualificação – A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) irá formar, em setembro, a primeira turma do curso de Tecnologia em Produção Pesqueira em Maraã. São quarenta alunos que aprendem técnicas de salga, produção de hambúrguer de peixe, linguiça de peixe e outros embutidos variados de pescado.
Hélio Beltrão, um dos coordenadores do curso, fala que poderão ser realizadas aulas práticas na sede da Fábrica de Bacalhau da Amazônia. “Estamos negociando junto à Sepror a possibilidade, inclusive, de os alunos estagiarem na fábrica. Com a prática eles poderão produzir com facilidade o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) que é obrigatório”, ressalta.
O curso de Tecnologia em Produção Pesqueira da UEA existe em oito municípios amazonenses. Além de Maraã, Fonte Boa, a próxima cidade a ter uma Fábrica de Bacalhau da Amazônia, também irá formar uma turma até setembro.
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