Apuí corre o risco de desabastecimento, a população se encontra sem atendimento de saúde fora do domicílio e sob permanente tensão

Prefeito de Apuí-AM Adimilson Nogueira (DEM)

Apuí – Preocupado com o clima de tensão e outras dificuldades enfrentadas pela população do município de Apuí, no sul do Amazonas, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Josué Neto (PSD), pediu nesta terça-feira (25), uma cessão de tempo durante o Grande Expediente, para explanações do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Lourenço Muni e do prefeito da cidade, Admílson Nogueira (DEM), sobre a tensão e o risco de novo conflito existente no município.


Em seu requerimento, o deputado Josué Neto destacou a situação preocupante em que vive o município, devido à interdição de um trecho da BR-230, que liga Apuí ao município de Humaitá, no km 70, ao fechamento do aeroporto da cidade pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), e ao quadro preocupante e instável após o conflito com os índios da reserva Tenharim, depois das ocorrências de violência entre brancos e índios no final do ano passado.


Lembrando que a cidade de Apuí corre o risco de desabastecimento, a população se encontra sem atendimento de saúde fora do domicílio e sob permanente tensão, o presidente Josué Neto propõe também a formação de uma comissão de deputados para ir ao município levantar todos os problemas e propor soluções. Ele mesmo já encaminhou requerimentos solicitando ações do DNIT para a recuperação da rodovia, à Secretaria de Segurança, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal, visando garantir tranquilidade e segurança à população.


O prefeito Admílson Nogueira lembrou que o conflito surgiu de uma má interpretação de um acidente com o cacique Ivan Tenharim, que levou os índios a reagir e sequestrar e matar três pessoas da população, gerando em consequência a reação do povo. Foi necessário o envio de forças de segurança para a área, mas tanto ele quanto os demais prefeitos da área estão preocupados com a “forma estática” com que a Funai e o Ministério Público, levam o caso, sem tomar nenhuma providência ou medidas para que não houvesse a divisão entre brancos e indígenas.


Para ele, a situação isolada de um pequeno grupo de indígenas tem provocado essa divisão, que só agrava os problemas como a interdição do aeroporto pelo DECEA, “sem a antecipação de nenhuma informação para que pudéssemos tomar alguma providência”. O prefeito Admílson disse que a rodovia BR-230 está interditada por rompimentos do leito nos quilômetros 20, 70 e no 135 próximo a Jacareacanga, no Pará.


“O município está em situação muito vulnerável e sem condições de prestar sequer um tratamento de saúde fora de domicílio, por causa do isolamento da rodovia e da interdição do aeroporto”, disse o prefeito, apelando para a Assembleia Legislativa ficar “conectada à situação” e agir quanto à intervenção da Aeronáutica no aeroporto de Apuí. “Esperamos dos deputados uma posição e apoio para debater esses assuntos que estão sendo entraves para as questões econômica, de saúde e educação nos municípios do sul do Amazonas”, argumentou.


Manifestaram-se favoráveis ao apoio proposto pelo presidente Josué Neto, os deputados Luiz Castro (PPS), que lembrou ter sido o deputado do Amazonas que mais bradou contra a cobrança do pedágio pelos índios no município; Marcelo Ramos (PSB), que declarou apoio à proposição do presidente no sentido de oferecer ajuda da Assembleia Legislativa à prefeitura do município; a deputada Conceição Sampaio (PP), que se solidarizou com o prefeito e à população apuiense; e Washington Régis (PMDB), que apelou ao governador para intervir em favor da população de Apuí.


Faea pede ajuda


Sobre a situação em Apuí, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço avaliou que “a população vive em estado de choque, por conta da radicalização da convivência entre indígenas e não-índios”, disse Muni, informando que é “grande e enorme a insegurança e a intranquilidade, principalmente de transitar pela BR-230”, que prejudica a economia do município.


Para Muni, especialmente dentro da reserva Tenharim, onde os veículos têm de transitar em comboios escoltados pelas forças de segurança que estão na região, a situação é extremamente tensa. Por isso, ele apelou aos deputados no sentido de pedir a presença mais efetiva de forças federais no sul do Amazonas. “Nós já pleiteamos postos da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal, para acompanhar e permitir o livre trânsito na rodovia. Hoje a população vive em estado de medo com os acontecimentos e a possibilidade de voltar o clima de violência à cidade”, finalizou Muni.
Fonte: Aleam
Foto: Vanderlei Alves
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