“A situação realmente preocupa. Estamos atentos e vamos manter um monitoramento

Rua Santo Antônio em Humaitá-AM
Foto: Divulgação


Humaitá-AM. A confirmação da presença do vibrião colérico (agente causador da cólera) nas águas do rio Madeira, em Porto Velho e Humaitá, colocou em alerta a secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). A cheia que castiga Rondônia, Acre, e o sul do Amazonas. E atinge mais de 77 mil pessoas, aumenta o risco de contaminação à população do Estado vizinho. O rio Madeira é o principal afluente do rio Amazonas. Até na ultima sexta-feira (4), a cota do rio estava em 19 metros e 88 centímetros e Porto Velho-RO e acima de 22 metros em Humaitá-AM.
“A situação realmente preocupa. Estamos atentos e vamos manter um monitoramento. Em se tratando de cólera, não é só o aspecto da contaminação da água que deve ser observado, mas também a questão do deslocamento humano”, disse o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Bernardino Albuquerque, ciente de que a rota de passageiros entre Amazonas e Rondônia, tanto por barco quanto por avião, é uma constante.
Moradores em contanto com a água contaminada na rua monteiro em Humaitá-Am.
Uma equipe da Susam chega a Humaitá (município que fica a duas horas de Porto Velho, via terrestre) para monitorar, dentre outras coisas, a incidência de doenças diarréicas na cidade, e coletar material para analisar a existência do vibrião da cólera no município amazonense. Dois casos suspeitos de cólera são investigados pelas autoridades de saúde de Porto Velho e em Humaitá morreu um senhora na Av. Brasil.
“Encontramos o vibrião colérico em duas coletas, uma em Jaci-Paraná (a 90 quilômetros de Porto Velho) e outra na água que atingiu a Estrada de Ferro Madeira Mamoré (no Centro da cidade). É preciso que a população adote certos cuidados”, disse o secretário de Saúde da capital de Rondônia, Domingos Sávio. Apesar do alerta, a população da cidade vem desprezando o risco de contaminação, para desespero do setor de Saúde de Rondônia.
As áreas alagadas se transformaram em passeio turístico em Porto Velho. Inundados com a cheia, a Justiça Federal, o Tribunal Regional Eleitoral e a Receita Federal em Rondônia estão entre os órgãos que se tornaram “pontos turísticos” depois que a enchente tomou as ruas do Centro da capital. A excursão pelas áreas alagadas, em rabetas, custa R$ 5 por pessoa. “Dependendo do dia, ganho até R$ 400”, diz Zedequias Vieira Barroso, 23, que conduz rabetas levando “turistas” pelas ruas que se transformaram em rio.
Segundo ele, hoje, o lucro, com a alagação é maior do que quando fazia o mesmo serviço na orla de Porto Velho.
Curiosos se expõem a riscos
A Estrada de Ferro Madeira Mamoré, há anos desprezada por políticos locais e pela própria população de Porto Velho, voltou a ser o principal ponto turístico da cidade em virtude da cheia. Desde que as águas do rio Madeira tomaram conta das Marias Fumaças que enfeitam o cartão postal, centenas de pessoas passam pelo local para conferir de perto a enchente. Redes são atadas entre árvores ainda não atingidas pela inundação. Até colchão foi instalado no gramado por uma família.
O secretário de Saúde de Porto Velho, Domingos Sávio, implora para que as pessoas evitem o local, cujas águas estão comprovadamente contaminadas. “Por favor, não vão para a Estrada de Ferro Madeira Mamoré colocar seu filho descalço lá para tirar foto”, disse ele, na última quarta-feira, em entrevista coletiva. Ontem, ele informou que pedirá ajuda do Estado, da Marinha e do Exército para interditar o local com tapumes.
Mesmo com a ameaça de cólera, a população continua a visitar o local. “Essa daqui é a cheia da história de Rondônia”, diz o eletricista aposentado José Ferreira, 70, que foi conferir a inundação das locomotivas e tirar fotos. Natural do Ceará, ele chegou aos 11 anos a Rondônia, na década de 50, e afirma nunca ter visto uma enchente tão violenta. “Isso é ‘arrumação’ do homem”, especula ele, a respeito da interferência humana na natureza.
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