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BR-319. (Foto Divulgação)

A pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO), colocou em lados opostos a ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB) e a ministra do Meio Ambiente Izabela Teixeira e um claro entrave no Planalto à solução para que a obra seja realizada. A pavimentação de aproximadamente 200 km da BR-319, conhecido como trecho do meio, voltou à pauta política nesta quarta-feira (2) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), quando o deputado estadual Dermilson Chagas (PDT) criticou a falta de diálogo na esfera federal para resolver o problema que isola do Estado do restante do País.

Durante a 5ª reunião do parlamento amazônico em Palmas (TO), Kátia Abreu se posicionou a favor da rodovia, mas afirmou que há um impasse no MMA. “A BR-319 é essencial. A estrada existe, o povo passa (pela BR) e não querem jogar o chão preto. O Ministério do Meio Ambiente é radicalmente contra asfaltar. Radicalmente. Eu conversei com a presidente (Dilma Rousseff) outro dia sobre isso e cheguei até falar sobre uma ferrovia que pudesse ser uma solução. Mas a luta continua”, declarou ao ser inteperlada por deputados na reunião sobre o assunto.

Chagas considerou a declaração forte e disse que trouxe o vídeo à Aleam para provocar o debate entre os parlamentares e para que a fala da ministra se torne pública, porque o assunto é de interesse de toda população do Estado. Dermilson também afirmou que a bancada do Amazonas em Brasília deve ter plena consciência de onde estão os obstáculos a uma solução para o impasse ambiental sobre a obra, que já dura décadas.  

Dermilson afirmou que a revelação da ministra expõe o descompasso do Governo Federal sobre a questão. “Isso só mostra como o Governo Federal está perdido na condução das ações de transporte e logística.  Enquanto eles brigam, nós, amazonenses, ficamos isolados. Somos privados do direito de facilitar o abastecimento entre os Estados de Rondônia e Amazonas, de escoar a produção do Polo Industrial. Hoje, há trafego na BR-319, mas as pessoas correm risco de morte nos atoleiros e nas pontes de madeira. A falta de pavimentação da rodovia impede o transporte de alimentos e insumos da Zona Franca.  Que as questões ambientais sejam asseguradas, mas o povo do Amazonas não pode ficar isolado. O Governo Federal, não tomando uma atitude que resolva o impasse, se posiciona contra um Estado inteiro”, afirma.

 O deputado e líder do Governo José Melo (PROS), David Almeida, destacou a importância da exposição da fala de Kátia Abreu, porque na terça-feira (01) a senadora Vanessa Grazziotin havia trazido informação do Governo Federal diversa ao que a ministra declarou. Vanessa declarou ao A Crítica que as obras de manutenção da rodovia devem ser liberadas neste mês de março. “Que informações (desencontradas) são essas? Virou o samba do crioulo doido”, criticou.

Em outubro de 2014, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou as obras de manutenção da BR-319, realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no trecho entre os quilômetros 250 e 655, que liga Humaitá a Manaus. Segundo o Ibama, foram encontradas irregularidades e graves danos ambientais. No mês seguinte, o Dnit conseguiu a suspensão do embargo na Justiça, mas as obras não foram retomadas.

Histórico

A BR-319 foi aberta e construída entre 1968 e 1973. O asfaltamento da estrada foi concluído às pressas chegaram a ser usadas coberturas de plástico para proteger o piso durante a época de chuvas, em que normalmente as obras são suspensas. A inauguração oficial aconteceu em 27 de março de 1976. Notícias da época, segundo a BBC Brasil, ressaltaram o discurso do então presidente Ernesto Geisel em que ele disse que a abertura da estrada acontecia em caráter experimental.

Em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) incluiu a recuperação da rodovia no projeto de desenvolvimento do país, mas o projeto nunca saiu do papel.  O sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a destacar no orçamento R$ 697 milhões para reabrir a rodovia, um investimento anunciado em 2007 como parte dos R$ 500 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2010. No governo Dilma Rousseff (PT), o impasse ambiental ainda gera entraves na rodovia.

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