No Facebook, prefeito de Manaus afirma que leu com surpresa a planilha da construtora Odebrecht divulgada ontem.

Artur virgilio neto
Prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (PSDB). (Foto: Divulgação)

Manaus – Na madrugada desta quinta-feira (24), O Prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (PSDB) usou as redes sociais (Facebook), para divulgar uma Carta Aberta ao Juiz Sérgio Moro. A publicação aconteceu após o nome de Arthur aparecer junto com o deputado federal, Arthur Bisneto (PSDB), filho do prefeito, e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) em uma lista da construtora Odebrecht que inclui os nomes de mais de 200 políticos do País com valores ligados a cada um, divulgados ontem (23).

O prefeito afirmou, ontem, que a quantia apresentada se tratava “de doações de campanha de quando ele disputou um cargo de Senador pelo Amazonas, em 2010”.

CARTA ABERTA AO JUIZ SÉRGIO MORO

Tenho acompanhado, como brasileiro esperançoso, sua atuação à frente da operação Lavajato.

Daí a admiração que, de longe, passei a nutrir por sua pessoa.

Veja bem, dr. Moro, admiro muitos dos seus gestos, mas obviamente não o idolatro. A idolatria não seria benéfica para ninguém, principalmente para o senhor mesmo. Atitudes e sentimentos exagerados acabam por deformar o alvo das homenagens. Acredite nisso.

Li, com muita surpresa, uma certa lista – ou planilha, para usar palavra tão em moda nestes tempos tristes – que mistura o legal com o ilegal, o verdadeiro com o falso. Trata-se de um rol de nomes que teriam sido beneficiados com doações, em dinheiro, da empresa Odebrecht. Mas é preciso separar o que são doações legais de campanha, documentadas oficialmente aos TREs, do que chamam de propinas. Ao juntar todos em uma única lista, surgem as distorções.

Vamos aos fatos: recebi, em 2010, R$ 80 mil, a título de colaboração para a minha campanha de reeleição ao Senado. Tal doação faz parte da declaração que apresentei ao TRE-AM, que prontamente aprovou minhas contas de campanha. Mais ainda: fui deputado federal por 12 anos, secretário-geral do PSDB por 3, senador por 8, prefeito de Manaus pela segunda vez. Fui líder do governo Fernando Henrique, por duas vezes, e Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, no primeiro mandato desse mesmo ilustre presidente. Pois entrei e saí de postos tão nevrálgicos sem ter sido questionado por quem quer que fosse. E nunca beneficiei a empresa Odebrecht, ou outra qualquer, muito orgulhoso que fico de nunca ter recebido solicitações de qualquer sorte ou de qualquer. Aliás, desprezo quem oferece propina e desprezo também quem é procurado para recebê-la. O propineiros sabem as árvores que podem dar bons frutos e, portanto, jamais cruzam os caminhos das pessoas de bem.

Uma pergunta se recusa ao silêncio: que obséquio poderia o líder oposicionista (mais vigoroso) ao consulado do presidente Lula da Silva? Teria a Odebrecht doado à formidável quantia de R$ 80 mil para um senador que pudesse obter recursos a serem investidos no Porto Mariel ou em qualquer desperdício na Venezuela, na Bolívia e afins? Mais uma indagação, se o senhor não se aborrece em analisa-la: por quê esse vazamento tão eivado de injustiças. Mais outra: o q tenho eu a ver com a Lavajato? O que tem minha campanha de 2010 a ver com descaminhos futuros e desastrosos dessa empresa baiana?

Por quê então, dr. Moro, meu nome, nessa lista tão esdrúxula? Em mim e em quem me conhece, causou uma estranheza enorme. E eu não poderia calar, diante desse imerecido constrangimento.

Dr. Moro, o senhor é um bom e corajoso juiz. Isso deveria bastar-lhe. Não deslegitimize a Lavajato com vazamentos desse tipo.

Aguardo providências suas. Com o nome que recebi dos meus maiores, ninguém brinca. O senhor, portanto, terá de respeita-lo como eu, até o presente, tenho respeitado o seu.

Muito cordialmente, Arthur Virgílio Neto”

*Jornal de Humaitá – O portal de notícias do Amazonas.

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