Foto: Divulgação
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Mais de 70 pessoas, por semana, estão morrendo na fila de espera para a realização da hemodiálise e transplante, no Amazonas. A chamada ‘fila da morte’ foi um dos temas da reunião realizada hoje (20) com representantes de associações de pacientes do SUS e o deputado Luiz Castro (Rede), na Assembleia Legislativa (Aleam).

Reunindo diversos segmentos da saúde – tanto usuários do SUS quanto profissionais que trabalham na área -, Luiz Castro assinalou que fará indicativos ao governo do Amazonas e aos Ministérios Públicos do Estado (MP-AM) e Federal (MPF), especialmente no caso dos renais crônicos e transplantados do Estado.
“Precisamos muito que os órgãos entendam que os renais crônicos estão morrendo e nos ajudem, junto à Justiça, a reverter este quadro”, salientou o parlamentar. “E o governador também precisa dialogar, não apenas com aquelas pessoas que o bajulam e mimam de atenção. José Melo precisa ouvir o clamor das pessoas que estão morrendo abandonadas por uma estrutura de saúde que não sabe priorizar aquilo que é essencial: a vida humana”, completou.
Há pessoas fazendo hemodiálise a cada 30 dias, quando deveria ser três vezes por semana, segundo prescrição médica. “É a ‘fila da morte’ do Hospital 28 de Agosto para os pacientes renais crônicos”, assinalou o parlamentar.
E quando finalmente os renais crônicos conseguem um transplante, ainda faltam os medicamentos mínimos para a não rejeição do órgão. Uma das consequências da ausência dos remédios é o necrosamento do rim. O resultado é que se perdem duas vidas: a de quem doou e quem recebeu.
Sobre a possibilidade de tratamento fora do Amazonas, foi lembrado que este recurso foi cortado. De acordo com Germano da Silva, paciente da Clínica Renal, esta solução não é interessante para a Secretaria Estadual de Saúde (Susam).
“Sinto-me preso na capital, como uma ovelha no pasto, engordando, somente esperando a morte. Já vi amigos sorrindo, contando piada, antes da hemodiálise. De repente, há uma hipoglicemia e acaba falecendo, na nossa frente. Então, no mesmo dia ou no seguinte, há outro em seu lugar, porque a fila é muito grande”, ressaltou Silva.
O presidente da Associação dos Transplantados de Fígado do Amazonas, Rildo Agre, informou que o Hospital Santa Júlia não está mais atendendo os pacientes renais porque o governo do Estado deixou de repassar os recursos para pagar o tratamento. Então, houve a transferência de 300 pessoas para o Hospital Adriano Jorge, onde não há nefrologista para atendê-los.
“Enquanto isso, 200 pessoas estão na fila para a hemodiálise. Ou seja, são 200 pacientes esperando 200 doentes morrerem para finalmente receber o tratamento”, afirmou Agre.
Desvios
“Estivemos em Manacapuru na semana passada. Os recursos direcionados para campanhas de prevenção estão sendo repassado, mas não utilizados: além da falta de medicamentos, o veículo que deveria ter sido comprado ainda não o foi”, afirmou Juliana Corrêa, do Fórum Amazonas de HIV/AIDS. “O mesmo está acontecendo em Manaus e Itacoatiara”, completou.
Falta
Percebemos que há muitas pacientes com o Câncer de Mama avançado. Isso acontece por conta da demora de até 90 dias para atendimento. “Quando chega alguém com um câncer avançado, ela precisa ter prioridade, o que não acontece. E quando conseguimos ter a autorização para a quimioterapia, são mais 90 dias para iniciá-la”, denunciou Joana Masulo, do Centro de Integração Amigas da Mama (Cieam).
Também participaram da reunião a Associação dos Transplantados de Fígado; Arsam; Universidade da Terceira Idade (Unati); Capes; Movimento Nacional de Direitos Humanos – Amazonas, Fórum Amazonense de Saúde Mental; Fórum Amazonas de HIV/AIDS e Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simmeam).
Texto: Assessoria
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