Prezada presidenta Dilma Rousseff: venho, por meio desta carta, expor a minha opinião sobre o que penso a respeito do seu governo. De imediato, parabenizo você e o seu partido pela significativa contribuição à redução da pobreza em nosso país. Livrar milhões da miséria era tarefa hercúlea tempos atrás. O PT tornou sonho em realidade. Não se acostume, entretanto. Essa mensagem não intenta conteúdo laudatório.

Dilma, eu acredito em você. Acredito nas suas boas intenções. Uma pessoa com tamanha trajetória de vida, de militância política à presidência da República, merece toda a minha reverência. Deveria receber reverência também da oposição, que muitas vezes perdeu o tom nas críticas. Vivemos um turbilhão político, todavia. Num país dividido, o poder nublou o julgamento das pessoas.

Eu acredito em você, sim. Não acredito no seu governo (deixei de acreditar, na verdade). No quintal de casa, o maior escândalo de corrupção da história do país saqueou o povo brasileiro. Na administração federal, ministros sobem e caem com sazonalidade inexplicável. Lula na Casa Civil? Excelente escolha. São poucos os articuladores políticos com tanta qualidade. Mas por que a nomeação aconteceu após suspeitas pairarem sobre ele? Será possível, Dilma, que o nome do seu mentor político não tenha sido cogitado antes?

As promessas de campanha falaram em controle da inflação. Não é o que se vê no supermercado. Você tocou fogo na principal bandeira do PT ao editar medida provisória que alterou regras para a concessão de benefícios trabalhistas. Afronta imperdoável. E agora, tenta permanecer no governo, mas não tem maioria no Congresso. Quer continuar presidente aumentando impostos. O povo brasileiro não quer pagar mais impostos.

O desespero para manter no poder é tanto que ministérios, cargos e funções, em vez de servirem ao interesse da nação, viraram moeda de troca num escambo de imoralidade. Em outras palavras, um impeachment, rigorosamente dentro da lei, seria bom para o Brasil. Ruim seria permanecer nas mãos de um governo incapaz. Pense nisso, presidenta. Você não vê, mas gente demais já sofreu com essa maldita crise. Ainda há tempo de juntar os cacos e recuperar o Brasil. De outro modo, poderá ser tarde demais.

Por: Gabriel Bocorny Guidotti
Jornalista e escritor
Porto Alegre – RS (Brasil)
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