Jornadas-Fármacos2 25.04.16Copaíba, mastruz, jaborandi e cipó tuíra são apenas algumas das 55 mil espécies de produtos naturais abundantes na biodiversidade da região que estão no centro de uma indústria poderosa, a de fitofármacos e fitoterápicos, com aplicação em antibióticos, analgésicos, remédios para doenças como Aids e câncer, que movimenta, somente no Brasil, US$ 1 bilhão/ano. No Amazonas, a tarefa para desenvolver esse setor é fortalecer os Arranjos Produtos Locais (APL), estimular novas tecnologias e padronizar o processamento de matérias-primas, entre outras alternativas.

Essas foram as propostas lançadas nesta ultima terça-feira (26), durante a quinta rodada de discussões das Jornadas de Desenvolvimento, evento promovido pelo Governo do Amazonas, no Centro de Convenções Vasco Vasques, no bairro Alvorada, zona centro-oeste de Manaus.

Segundo o diretor de ações estratégicas da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplancti), André Luis Willerding, das 30 mil espécies catalogadas na Amazônia, 2 mil são espécies medicinais e 1.250 são espécies aromáticas. Dessas, somente 2% foram analisadas. Para reverter esse quadro, Willerding aponta como desafio a aplicação de tecnologia e esforço para o desenvolvimento de produtos terapêuticos oriundos de insumos e matéria-prima florestais. “Temos a faca e o queijo na mão”, resumiu o pesquisador ao dimensionar o potencial do Estado.

Há todo um trabalho, também, de esclarecimento da população, destacou Willerding. Apenas 10% das pessoas consomem produtos fitoterápicos ou tem conhecimento dos benefícios desse tipo de medicação. Outro entrave é a baixa prescrição médica desses compostos terapêuticos. Será preciso definir um modelo de governança que garanta ecossistemas de inovação, investimentos estratégicos na capacitação de recursos humanos e cooperação técnica e políticas públicas para a produção de  conhecimento, defende o pesquisador.

O encontro  que tratou de Fitofármacos foi aberto pelo secretário executivo de Desenvolvimento da Seplancti Nivaldo Mendonça, que enfatizou a necessidade de alinhar as ideias acerca do desenvolvimento de bionegócios na região. “Por isso estamos ouvindo pesquisadores, empresários e demais agentes de cada setor”, explicou o secretário.

Matriz econômica

As Jornadas de Desenvolvimento têm como tarefa definir ações para a diversificação da economia dentro de uma nova Matriz Econômica Ambiental para o Estado do Amazonas, incluindo a economia dos recursos naturais, além do modelo Zona Franca.

Grupos de trabalho temáticos estão formulando propostas de construção de eixos de desenvolvimento em oito setores prioritários: aquicultura e piscicultura, fruticultura, produtos florestais madeireiros e cosméticos. Também serão debatidas propostas para as áreas de fármacos, turismo, energia e minérios, logística e comunicação.

A realização das Jornadas de Desenvolvimento são um desdobramento do Fórum Matriz Econômica Ambiental, realizado pelo Governo do Estado, no início de março, no Amazônia Golf Resort, na Rodovia AM-010 (Manaus – Itacoatiara), com a participação de embaixadores e diplomatas de dez países, pesquisadores e ambientalistas. Esse Fórum, por sua vez, foi resultado das discussões travadas durante a participação da delegação do Amazonas na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP 21), em Paris (França), no ano passado.

*Jornal de Humaitá – Com informações da assessoria.

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