Existem quatro estações bem definidas. Elas variam. Às vezes, o tempo do calendário revela a primavera ao compasso que o estado ambiental é de inverno. Às vezes, um verão quente é rasgado por um inesperado frio, que surge dominando tudo o que vê, tal qual um grande conquistador. Engraçado falar sobre isso. Muito a aprender com estações a sociedade humana tem. As pessoas não passam pelas mesmas mudanças?

O dia a dia é recheado de oscilações. O homem que acordou alegre poderá dormir severamente estressado. É natural. Onde há pessoas convivendo entre si, sempre haverá diferenças, e as mínimas afrontas dão vazão a guerras nucleares. Ou seja, um indivíduo pode começar a manhã em um calorento e lindo dia de sol, mas pode finalizar a noite dentro de um frio e escuro dia de inverno.
Se existe “Mãe Natureza”, essa deusa pagã tem percebido que as estações estão se modificando – assim como as pessoas. O impacto de interagir com o próximo, na mente de cada um, é como uma mudança sumária de estações. Quem já não reclamou de um frio rigoroso que foi substituído por uma quentura que faz jus à mudança de “inVerno” para “inFerno”? Quem já não reclamou daquele colega de trabalho que parece ter um dom especial para alterar o próprio humor em segundos?
A verdade é que os seres humanos podem ser doces como a primavera, desabrochando ternura no ambiente. Rapidamente, tornam-se inseguros como o outono, não sabendo em qual lado ficar: ora o frio, ora o calor. As pessoas são exatamente iguais às estações. Se os novos tempos do capitalismo e da indústria estão afetando as formas bem delineadas do clima, estão modificando também a forma de convivência de nossa espécie.
Na natureza, há o derretimento das geleiras, que implica severas mudanças ambientais. Nos seres humanos, há o derretimento de ideias, que gera o perecimento de valores. O meio natural busca o equilíbrio entre seus agentes, evitando um cataclismo ambiental. Equilíbrio que falta à sociedade humana. Com tantas desigualdades, as pessoas conseguirão evitar um cataclismo social? Quatro estações: você ainda pensa que elas tratam exclusivamente de questões climáticas? Pense de novo.
Por: Gabriel Bocorny Guidotti / Jornalista e escritor
Porto Alegre – RS (Brasil)
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