“Antes de 1997, nós vivíamos de uma memória da Belle Époque”. A afirmação é do secretário estadual de Cultura, Robério Braga, ao retratar o cenário cultural do Amazonas antes da criação da Secretaria de Estado de Cultura, durante o IV Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura, realizado pela Pró­-Reitoria de Inovação Tecnológica (Protec), no auditório do CAUA, na manhã desta quinta-feira (10).

Convidado para compor a mesa redonda sobre o tema “Institucionalidade da Cultura e Processos Sociais”, ao lado do prof. Alexandre Barbalho (UECE), profª. Dra. Flávia Lages (OBEC –RJ) e Profª. Dra. Marilene Freitas (UFAM), o secretário de Cultura Robério Braga apresentou as ações desenvolvidas para o fomento cultural do Amazonas, baseadas nas premissas da Pasta: pensar; organizar, debater e agir.

“Até 1997, nunca antes havia tido política pública de cultura no Amazonas, apenas ciclos, como ciclos econômicos, ciclos de ação cultural, sem que a formação acadêmica tivesse, sequer, sido pensada. Até mesmo a Universidade Federal do Amazonas não se voltava para essas questões, os cursos de história, antropologia são recentíssimos, o mesmo pode-se dizer sobre os cursos de arqueologia, teatro, audiovisual na UEA. Nós vivíamos de uma memória da Belle Époque, que importou manifestações culturais como ópera. Tudo foi sazonal”, relembrou Braga.

Questionado sobre a continuidade das ações e o arejamento de ideias da equipe da secretaria de Cultura, o titular da pasta foi categórico ao dizer que deve ser esforço de todos evitar a descontinuidade, e que as ações culturais são desenvolvidas por meio do diálogo franco e contínuo entre o Estado e os segmentos culturais. “O arejamento de ideias é uma preocupação de todos os envolvidos nesse processo, não só do Estado, mas da sociedade. Nos últimos 14 meses, o Governo tem ampliado a participação e a execução direta das ações por parte da sociedade. E para evitar um novo ciclo de descontinuidade, o Governo investiu na formação da massa crítica, capaz de sustentar essas políticas como, por exemplo, os 47 mil alunos do Claudio Santoro, são 47 mil famílias dizendo aos governantes não fechem minha escola de artes”, explicou.

Braga revelou que este foi um processo longo, iniciado no 1º Festival Amazonas de Ópera, em 1997. “Nós idealizamos a realização de um festival, para que a ópera, como síntese de todas as artes, fosse a mola propulsora de uma política de desenvolvimento cultural. Criamos a Orquestra Amazonas Filarmônica com músicos do Leste Europeu, que multiplicaram o conhecimento como professores no Claudio Santoro e na UEA. E posteriormente foi criado outros corpos artísticos”, revelou.

Sobre a revitalização de espaços públicos, ele afirmou ainda: “Nós não inventamos o uso, nós requalificamos o espaço vazio no ambiente urbano e reabilitamos o uso tradicional. Imaginamos que tudo isso será sustentando, primeiro com a exigência da própria sociedade, que se habituou a usufruir do Largo de São Sebastião com segurança, limpeza e espetáculos artísticos, ou seja, uma massa crítica capaz de exigir que tudo isso continue”, finalizou.

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