Para a ABCVAC, ao invés de permitir mais acesso, a medida pode fazer com que pacientes deixem de ir à postos de vacinação e clínicas especializadas

Encerrada no último dia 31, a Consulta Pública Nº 328/2017 da Anvisa, que permite que farmácias também apliquem vacinas é motivo de preocupação da ABCVAC (Associação Brasileira de Clínicas De Vacinas), associação que representa o setor das Clínicas de Vacinas na defesa das boas práticas de mercado e da melhoria contínua na promoção da saúde através da Vacinação.

Apesar da melhoria nas coberturas vacinais observada no Brasil e dos avanços alcançados pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), a cobertura vacinal para as diferentes faixas populacionais é um desafio. “Estabelecer caminhos para ampliação do acesso da população á vacinas previstas no calendário anual, bem como, as novas tecnologias, é fundamental para o atingimento das metas definidas pelo próprio PNI, assim como, garantir a população a manutenção da segurança alcançada de anos de esforço e trabalho nesta área”, diz o porta-voz da entidade,Geraldo José Barbosa, presidente da ABCVAC.

Para a ABCVAC, alguns problemas podem ser agravados com a proposta de regulamentação feita pela Anvisa, principalmente no que diz respeito a assistência à saúde, que poderá se tornar fragilizada, devido a falta de estrutura das farmácias para o atendimento ao previsto na consulta pública da Anvisa.

“Também haveria uma ampliação dos riscos sanitários, considerando o modelo proposto na consulta pública, devido à falta de estrutura das farmácias para o atendimento ao previsto na consulta pública da Anvisa”, diz Barbosa. Ele explica que a ausência de pessoal qualificado e infraestrutura de armazenamento e uso das vacinas é um ponto que precisa ser muito discutido. “Para que as vacinas cheguem aos clientes com qualidade, é necessário que sejam obedecidas todas as normas de conservação que se faz através da cadeia de frio, a qual vem desde o fabricante até a sala de vacina das clínicas”, explica.

A falta de retaguarda assistencial em caso de eventos adversos é a principal preocupação para a população. “Nenhuma vacina está totalmente livre de provocar eventos adversos, apesar do aprimoramento dos processos utilizados em sua produção”, diz o porta-voz, lembrando que a administração de vacinas é um procedimento médico/de enfermagem.

Segundo a ABCVAC, é preciso cautela, pois ao invés de permitir mais acesso, a medida pode fazer com que pacientes deixem de ir à postos de vacinação e clínicas especializadas, que estão preparados exclusivamente para prestar o serviço, bem como orientações.

A ABCVAC busca, ainda, a regulamentação do setor privado de serviços assistências de vacinas, caracterizando-os como centro de referência.


Por: Deborah Rezende

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