Exiba imagens para confirmar leitura

A FGV CPDOC organiza o III Simpósio Internacional Brasil: da Ditadura à Democracia, que será realizado entre 9 e 11 de agosto, no Rio. O objetivo do encontro é apresentar um balanço dos impactos da Comissão Nacional da Verdade sobre as novas pesquisas desenvolvidas após a instauração da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2012, que apurou violações aos direitos humanos ocorridas durante o período da ditadura militar.

Segundo o historiador Paulo Fontes, da FGV CPDOC, a CNV, concluída em 2014, deixou um legado altamente positivo para a produção acadêmica relativa à ditadura. “Temas que eram pouco estudados estão vindo à tona. Até mesmo questões do mundo do trabalho eram temáticas das quais tínhamos pouca produção. Agora surgem novas pesquisas. A Comissão permitiu trazer mais visibilidade a esses estudos”, afirmou Fontes.

O professor da FGV destaca ainda que uma das vertentes não muito exploradas nas pesquisas sobre o período militar, até então, era a ofensiva sobre as organizações sindicais. De acordo com ele, os anos de chumbo representaram, sobretudo, uma tentativa de desmobilização dos sindicatos dos trabalhadores, que à época vinham em trajetória de fortalecimento. “Quando acontece o golpe, o movimento sindical foi o primeiro a sofrer. Muitos acham que a repressão começou com o AI 5, mas é uma forma enganosa de ver esse período. Em 1964, lideranças foram presas e sindicatos sofreram intervenção. Também ocorreu o que chamo de revanche patronal, que resultou na demissão de trabalhadores ativistas”, explicou.

Mesmo diante da perseguição, os trabalhadores fizeram movimentos de resistência ao governo militar, destaca o historiador. “Se pararmos para analisar, o golpe começou com um ataque aos trabalhadores e terminou por causa deles em grande medida. A partir de 1978 e 1979 surgiram grandes protestos dessa classe, que atingiu profundamente o regime militar. Mas sabemos muito pouco ainda sobre esse período, porque a maioria dos estudos se concentrou mais na luta armada e no ataque dos militares à classe média”, pontuou.

O evento acontece em parceria com a PUC-Rio, que sedia o simpósio, e a Brazil Initiative, da Brown University, dos Estados Unidos. Durante o Simpósio serão abordados temas como o trabalho com documentos no estudo da ditadura, a repressão aos crimes contra a economia popular, as disputas de projeto e de narrativas ocorridas no período da anistia à Comissão da Verdade, e o papel do Superior Tribunal Militar (STM) na ditadura de 1964. Estarão presentes pesquisadores da UFF, USP, Brown University, UFRJ, UFSC, UERJ, Unigranrio, Unicamp, UFRRJ e PUC-Rio.

Serviço
III Simpósio Internacional Brasil: da Ditadura a Democracia
Data: 9 a 11 de agosto
Horário: 10h às 18h30 (dia 9), 9h30 às 18h30 (dia 10), e 9h30 às 20h (dia 11)
Local: Rua Marquês de São Vicente, 225. Auditório do IAG/PUC-Rio

Insight Comunicação

No Rio – (21) 2509-5399

faça um comentários
Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais em Jornal de Humaitá

Leia mais

Saiba como prevenir seus eletroeletrônicos dos danos causados pelas fortes chuvas

São Paulo, novembro de 2017 – Basta o Verão se aproximar para voltar a preocupação c…