O deputado José Ricardo (PT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta quarta-feira (22), para insistir mais uma vez na cobrança da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que pretende investigar os mais de 600 contratos entre a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e empresas privadas, bem como o rombo de R$ 1,2 bilhão na área da saúde. Ele justifica que a situação da saúde do estado está cada dia pior, com denúncias de atendimento precários, faltas de pagamento de funcionários terceirizados e hospitais, tanto da capital quanto do interior, abandonados.

Ontem, a proposta de CPI recebeu mais uma assinatura, a do deputado Platiny Soares (DEM). Com essa adesão, o requerimento conta com cinco assinaturas, faltando apenas três para que as investigações sejam instaladas. Além dos autores da proposta, José Ricardo e Luiz Castro (PSB), os deputados Sabá Reis (PR) e Sinésio Campos (PT) também já assinaram o pedido. “Por isso, volto a pedir que os demais parlamentares apoiem e assinem essa CPI. A saúde pede socorro e o prejuízo é muito grande, tanto para os trabalhadores quanto para toda a população”, disparou.

De acordo com o parlamentar, todos os dias, ele recebe denúncias de funcionários de hospitais com atrasos salariais, de equipamentos com problemas e falta de condições de atender a demanda de pacientes. Ele destacou que essa situação também é recorrente nos municípios do Amazonas e, em algumas sedes, o atendimento à saúde até piorou. Como é o caso dos municípios de Manaquiri e Careiro Castanho, visitado por ele nesse final de semana.

No Hospital Raimundo Rodrigues Irmão, de Manaquiri, o atendimento à saúde da população está precário, pois faltam profissionais para atender a população, faltam exames laboratoriais, falta equipamento de raio-x e, o que é mais grave: falta ambulância para transportar os pacientes que precisam. “Essa é a dura realidade da saúde do Estado, herança deixada por esse grupo político que governa o Amazonas há mais de 30 anos. Essa situação também vem se repetindo em outros municípios. É um total abandono da saúde do Estado”, destacou José Ricardo.

Já em Careiro Castanho, o deputado constatou que a situação do Hospital Deoclécio dos Santos é ainda pior. A população está sendo atendida num prédio de estrutura precária, enquanto o prédio original, que foi reformado e ampliado, está pronto há mais de cinco anos, mas não foi inaugurado porque faltam equipamentos básicos para atender a população. “Essa situação é absurda. Já entrei com representação no MPE contra esse descaso, mas nada foi resolvido. Isso é um típico exemplo do descaso com a saúde do Estado e desperdício de recursos públicos”.

Além disso, José Ricardo também denunciou a situação trabalhista envolvendo os plantonistas e técnicos de enfermagem que atuam no Hospital e Pronto Socorro Platão Araújo, Zona Leste, contratados pela Cooperativa Segeam, que estão com salários atrasados desde o último mês de setembro, não estão recebendo devidamente as horas extras trabalhadas desde agosto, além dessa empresa utilizar uma sala do Platão como escritório e até como sede, já que não atenderia no seu endereço dito oficial. E quando esses funcionários vão cobrar os seus direitos, são ameaçados de perder os seus empregos.

Mais um debate sobre a LOA/2018

Foi realizado na noite de ontem mais um debate sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2018, desta vez com as setoriais e movimentos sociais e políticos do Partido dos Trabalhadores (PT). Todas as sugestões serão apresentadas como emendas ao Orçamento.

Para José Ricardo, já que o Governo do Estado não chama a população para participar dessa decisão, seu mandato está fazendo essas ações, por meio da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa, da qual é presidente. “Como parlamentar, tenho defendido o orçamento participativo, por isso, venho realizando varias reuniões com os diversos setores da sociedade para que apontem suas propostas de prioridades de investimentos. Pois essa é a prática que o PT sempre defendeu”, declarou ele, reforçando que o Orçamento do Estado, de R$15,4 bilhões, é público, portanto, nada mais justo que os verdadeiros donos, que é a população, apontem onde os recursos devem gastos e aplicados. Na semana passada, já houve diálogos com as lideranças da Igreja Católica, além de reuniões com as representações dos movimentos sociais, e amanhã (23) acontece a última Audiência Pública, às 10h, na Praça da Matriz, Centro.

Gabinete do Deputado José Ricardo (PT)

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