Campo de atuação exige profissionais multifacetados e é essencial para a solução de problemas dos centros urbanos do país

Com a criação da Escola Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), ainda no século XIX, a profissão de Arquitetura e Urbanismo passou a existir formalmente no Brasil e, hoje, a carreira está entre as dez que possuem maior taxa de empregabilidade no país.

De acordo com o último censo do Conselho dos Arquitetos e Urbanistas (CAU), são 80 mil profissionais arquitetos no Brasil, sendo que a maioria está concentrada no sudeste e sul. Dentre as vertentes do curso de graduação, a área mais pulsante é a de decoração, seguida por arquitetura de edificações residenciais, segundo a professora de Arquitetura e Urbanismo da Uniderp, Camila Amaro. “Isso se dá pelo número maior de vagas nessas áreas, possibilitando a rápida inserção dos profissionais no mercado de trabalho”, justifica a docente.

Já a área do Urbanismo é a que possui o mercado de trabalho mais restrito e é a menos conhecida como campo de atuação. Urbanistas podem atuar em secretarias públicas, Ministério das Cidades, como acadêmicos, e em escritórios que desenvolvem projetos urbanos, segundo o docente de Arquitetura e Urbanismo da Anhanguera Niterói (RJ), Flávio Faria de Araújo. “Esta é essencialmente uma profissão técnico-humanística, exigindo profissionais multifacetados, capazes de lidar com normas, leis e política, mas sem deixar de lado o aspecto social e coletivo”, explica o professor da Anhanguera de Campinas (SP), Ulisses Resende Castro.

Apesar de menos conhecido, o Urbanismo tem se tornado cada vez mais essencial no processo intenso de metropolização e migrações que o Brasil enfrenta. Para o coordenador de Arquitetura e Urbanismo da Anhanguera Vila Mariana (SP), Enrique Staschower, hoje vivemos um aumento na migração cidade-cidade no Brasil, ao contrário do passado que era campo-cidade; portanto, devemos preparar o crescimento das cidades médias – tais como as que se desenvolveram no centro-oeste, baseadas na produção de grãos para exportação.

Ao observar o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 68% da população nacional vive somente em 26 regiões metropolitanas. Além disso, o crescimento acelerado dos centros urbanos e sua expansão horizontal e vertical, leva à superlotação das cidades. É papel do urbanista prezar pelo desenvolvimento sustentável das cidades, e de forma inclusiva também.

“O desenho das cidades e do mobiliário urbano deve possibilitar o deslocamento das pessoas de forma autônoma e independente. Também deve ser considerada a diversidade social e as diferentes manifestações sociais e culturais que a cidade comporta. É preciso haver espaço para todos. É preciso que as pessoas se sintam parte da cidade. É preciso haver opções de lazer e cultura para todos os bolsos e gostos. Só assim os habitantes cuidarão e terão orgulho da cidade onde vivem”, conclui Ulisses Castro.

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